Agronegócio

05/03/2018 09:16 OLHAR DIRETO

PF deflagra mais uma fase da >Carne Fraca> e Mapa destaca esforços para evitar contaminação por salmonela

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (05), mais uma fase da ‘Operação Carne Fraca’. Entre os alvos desta terceira fase está o ex-diretor-presidente global da BRF Brasil Foods, Pedro de Andrade Faria e também laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que é comandado pelo ministro Blairo Maggi (PP). Não há mandados a serem cumpridos em Mato Grosso. A pasta destacou os esforços para evitar contaminações por salmonela e a cooperação com os trabalhos das autoridades.
 
Batizada de ‘Operação Trapaça’, esta nova fase da ‘Carne Fraca’ cumpre um total de 91 ordens judiciais (São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás). Além dos 11 mandados de prisão, há 27 mandados de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão.
No Paraná, há mandados sendo cumpridos em Curitiba e em Araucária, na Região Metropolitana; em Carambeí, em Castro, em Palmeira, em Ipiranga, em Piraí do Sul e em Ponta Grossa, nos Campos Gerais; em Dois Vizinhos e em Toledo, no oeste; e em Maringá, no norte.
 
As investigações apontaram que cinco laboratórios credenciados ao Mapa setores de análises da BRF fraudavam resultados de exames em amostras de processo industrial. Os suspeitos então informavam dados fictícios em planilhas e laudos técnicos entregues ao Serviço de Inspeção Federal (SIF/MAPA) para impedir que o Mapa fiscalizasse a qualidade do processo industrial da BRF.
 
Na nota encaminhada à imprensa, o Mapa informou que o alvo principal desta operação é a "fraude nos resultados de análises laboratoriais relacionados ao grupo de bactérias salmonella spp". Esta bactéria, conforme a pasta de Blairo Maggi, é comum em carne de aves, pois faz parte da flora intestinal desses animais.
 
Porém, a salmonela é destruída quando submetida a altas temperaturas, como fritura e cozimento, o que minimiza os riscos à saúde. A fiscalização do Mapa já havia detectado e irregularidades em algumas unidades, o que resultou na exclusão deles para exportação aos 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp.
 
Com esta ação da PF, foram desencadeados os seguintes procedimentos de investigação, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento:
 
- Suspensão do credenciamento dos laboratórios alvo da operação, até finalização dos procedimentos de investigação, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento;
 
- Suspensão dos estabelecimentos envolvidos para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp. 
 
- Implementação de medidas complementares de fiscalização, com aumento de frequência de amostragem para as empresas envolvidas, até o final do processo de investigação.
 
- Implementação pela SDA de novos modelos de controle de laboratórios credenciados visando a redução de fraudes;
 
- Aprimoramento de ferramentas de combate a fraudes em alimentos, como também continuidade de ações já desempenhadas pelo Serviço de Inspeção Federal, possibilitando redução de não conformidades a curto e médio prazo.


Carne Fraca
A primeira fase da Operação Carne Fraca, lançada em março de 2017, investigou o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Cinquenta e nove pessoas viraram rés.


A operação causou um impacto financeiro de R$ 363 milhões nas contas da BRF de 2017. Houve gastos e despesas extras com mídia e advogados, além de frete, armazenagem e perdas com devoluções de produtos


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