Agronegócio

11/05/2018 10:33 Diário de Cuiabá

Milho eleva as projeções para Mato Grosso

A produção agrícola de Mato Grosso deve somar 61,58 milhões de toneladas nesse ciclo, 2017/18, conforme nova revisão mensal realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se o volume se confirmar, a oferta atual será 0,6% inferior aos 61,98 milhões – recorde histórico – da temporada passada. 

Apesar da redução, os números atualizados mostram uma diferença menor entre as safras, já que a projeção passa de -1,3% em abril, para -0,6% em maio. Nesse intervalo, a soja (que acrescenta novo recorde) e o algodão, favorecidos pelo clima, melhoraram as estimativas iniciais e suprem parte do que foi o recorde do ano passado, também embalado pela soja. Conforme o novo levantamento da Conab divulgado ontem, o 8º desse período, abril foi marcado pela continuidade do bom regime de chuvas em todo Estado, ainda que se observe redução do volume neste mês, condizente com a média histórica do período. “Chuvas regulares e generalizadas sobre as principais regiões produtoras têm beneficiado a produtividade das principais culturas. Nos últimos 90 dias, o acumulado de precipitações no médio norte, por exemplo, supera 800 mm”, apontam os analistas responsáveis pela atualização. 

Além de incrementarem a oferta, soja e algodão elevam ainda a participação da produção mato-grossense no total estimado para o país em 2017/18. Com os números de maio o Estado será responsável por 26,5% das mais de 232 milhões de toneladas estimadas para o Brasil. 

Em Mato Grosso, a colheita da soja está encerrada desde a primeira quinzena de abril. A produtividade média foi de 3.350 kg/ha, rendimento 2,4% superior aos 3.273 kg/ha obtidos no ciclo anterior. “São fatores que contribuíram para o excelente desenvolvimento das lavouras como o clima bastante favorável, melhorias nas variedades de sementes e o plantio em momento mais propício, no que diz respeito ao calendário agrícola, tendo em vista que a semeadura foi relativamente postergada em virtude do início das chuvas. Consequentemente, Mato Grosso deverá somar safra recorde de 31,88 milhões/t, 4,5% superior à marca do último ciclo, de 30,51 milhões/t, impondo novo recorde à série histórica local. 

Em Mato Grosso é esperado aumento de 23,9% na área semeada com algodão, passando de 627,8 mil hectares na safra passada para 777,8 mil hectares na atual. “Além de os antigos produtores aumentarem suas áreas de algodão em detrimento ao milho, alguns novos produtores passaram a apostar na cultura, visto que a rentabilidade alcançada pelo produto tem superado a do milho”, aponta o levantamento. 

O plantio encerrou no final de fevereiro. Bons índices pluviométricos foram registrados nessa safra. Boa parte do algodão da região leste do Estado já se encontra com a maçã formada. Nas lavouras de algodão da região oeste a fase predominante é a floração. “O desenvolvimento das lavouras está muito bom. As pragas mais preocupantes são o bicudo e as lagartas, que, em casos pontuais, estão provocando o aumento do número de aplicações. O controle da mancha da ramulária, doença fúngica, também segue com as aplicações dentro da programação”, avaliam os técnicos da Conab. 

Essa atualização estima produtividade média de algodão em caroço de 4.100 kg/ha, 1,8% superior aos 4.027 kg/ha obtidos na última safra. Em pluma, a produção estimada deve superar em 26% a anterior, com o volume passando de 1,01 milhão/t para mais de 1,27 milhão/t. A comercialização da safra 2017/18 se encontra em torno de 70% da produção. 

Em relação ao milho, o volume projetado para 2018 segue inferior ao contabilizado no ano passado. O menor investimento em sementes e fertilizantes seguem limitando o potencial produtivo da cultura e em função disso, o milho deverá somar 26,50 milhões/t, 7,4% abaixo das 28,61 milhões/t contabilizadas em 2017. A produtividade média está estimada em 5.928 kg/ha, rendimento 4,6% inferior ao da safra anterior, “devido ao atraso do plantio do cereal associado aos menores investimentos na lavoura”. A área semeada em Mato Grosso foi de 4,47 milhões ha, queda de 2,9% em relação aos 4,60 milhões plantados na safra anterior. “A semeadura da safra de milho foi finalizada na segunda quinzena de março, com cerca de 20% da lavoura cultivada fora da janela ideal, devido ao atraso na colheita da soja. A valorização da cotação do cereal no período levou vários produtores a alongarem o plantio com sementes salvas e sem o manejo adequado. O milharal está predominantemente no estádio de frutificação e floração”, destaca o 8º levantamento. 

BRASIL - A previsão da segunda maior colheita de grãos do Brasil, com uma produção de 232,6 milhões de toneladas, está mantida neste 8º levantamento. Apesar do decréscimo de 2,1% em comparação à safra passada, que chegou a 237,7 milhões de toneladas, o número é bem elevado em relação à média de produção nacional, em condições atmosféricas normais. Na comparação com a pesquisa do mês de abril, a estimativa total da safra mostra um aumento de 1,3%, ou cerca de 3 milhões de toneladas. 

Os maiores volumes são da soja, responsável pelo bom desempenho produtivo e cujo avanço da colheita vem confirmando a boa produtividade, e do milho total. A leguminosa registra 117 milhões e o cereal 89,2 milhões de toneladas. Já o milho segunda safra responde por 70% de sua colheita (62,9 milhões de t), cabendo ao milho primeira safra 26,3 milhões de t. 

Na sequência de aumento da produção deste levantamento, vem o algodão em pluma, com um volume de 1,9 milhão de toneladas, algo em torno de 27% a mais que a safra anterior. O feijão segunda safra também registra bom desempenho, com um aumento de 10,2% e colheita de 1,32 milhão de toneladas.


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