Agronegócio

25/09/2018 10:03

Caixa 2 para Pedro Taques foi de R$10 milhões diz delator 

Caixa 2 para Pedro Taques foi de R$10 milhões diz delator 

Da Redação

O governador Pedro Taques (PSDB) foi alvo de duas delações que vêm impactando diretamente em sua campanha rumo à reeleição. De favorito, hoje já figura em terceiro lugar na maioria das pesquisas eleitorais. Nas delações, Taques é acusado de ter recebido dinheiro de caixa dois de empresários envolvidos em um esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) desarticulado pela Operação Rêmora. Os delatores também afirmam que ele sabia dos desvios.

Um dos delatores,  o empresário Alan Malouf, afirma que captou R$ 10 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Pedro Taques ao governo, em 2014, então candidato do PDT.

 A conta, diz ele, era administrada por Júlio Modesto, que virou o chefe da Casa Civil mato-grossense.  Segundo Malouf, Taques recebeu R$ 10 milhões em caixa dois. O delator afirma que "esteve reunido mais de 100 vezes com o governador Pedro Taques em sua residência para tratar de assuntos financeiros ligados a campanha de 2014".

O empresário teve a delação homologada pelo ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Outro delator que teve sua colaboração homologada pelo STF foi o ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, que em seu depoimento afirmou que tratou de “algumas licitações para serem direcionadas com o próprio governador”, envolvendo diretamente Taques no esquema da Seduc e confirmando o depoimento do empresário Alan Malouf.

De acordo com Permínio, o empresário Alan Malouf  e o ex-secretário da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques, eram responsáveis para que juntos com os demais secretários "encontrassem uma forma de captar recursos para quitar dívidas de campanha deixadas para trás".

"Os secretários mais próximos do Alan Malouf ficaram sob o seu comando, como eu, o Júlio Modesto (ex-secretário de Gestão) e Paulo Brustolin (ex-secretário de Fazenda). E outros ficavam ligados ao Paulo Taques", declarou o ex-secretário. Ele deixou o governo em 2016, no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Rêmora, e foi preso um mês depois, na segunda fase da operação.

O caso dos desvios na Seduc veio a tona durante a Operação Rêmora, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP), em maio de 2016. A investigação procura verificar a suposta fraude de 23 licitações da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em obras de construção e reformas de escolas, cujo orçamento é de R$ 56 milhões.

É bom lembrar que Taques foi eleito com o discurso de combate à corrupção e defesa da moralidade na política sua trincheira. Em busca da reeleição, o atual governador se vê agora na incômoda condição de investigado, pressionado por delações premiadas, além de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acabou por levar diversos de seus secretários para atrás das grades, dando discurso à oposição, e que vêm culminando nos resultados das recentes pesquisas eleitorais.

O inquérito no STJ diz respeito ao caso como ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira. O esquema, de acordo com as investigações, envolvia uma máquina de grampos ilegais instalada por um núcleo de policiais militares que interceptavam telefonemas de políticos, outras autoridades e jornalistas. O modelo utilizado é conhecido como “barriga de aluguel”: policiais incluíram telefone de pessoas que não eram investigadas em relatórios de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente para cercar traficantes de drogas.

Secretário de Segurança Pública de Taques durante o primeiro ano de governo, o promotor de Justiça Mauro Zaqueu disse que recebeu uma denúncia anônima sobre o caso e alertou o governador duas vezes. As apurações sobre o esquema só começaram dois anos depois, após a veiculação de uma reportagem do Fantástico, em maio de 2017, e um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso.

Em setembro do mesmo ano a Polícia Civil deflagrou a Operação Esdras para apurar o esquema e levou para a cadeia diversos secretários, entre eles o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o titular da Secretaria de Segurança Pública, Roger Jarbas, da Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira, o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler, além de outras pessoas que já fizeram parte do staff. 

Os episódios fizeram a oposição crescer no Estado, com a deputada Janaina Riva (MDB), líder oposicionista na Assembleia Legislativa, chegar prever que o governador tucano ainda será preso. “O povo de Mato Grosso foi enganado por esse hipócrita, mentiroso, falso, autoritário Pedro Taques. Ele vai pagar como Silval pagou, como pagaram outros, e vai para o mesmo lugar, que é a cadeia. [A cadeia] está esperando por ele”, disparou Janaina, em uma das entrevistas à imprensa.

Porém, as dificuldades de Taques se deve também ao desgaste junto ao funcionalismo público estadual. Como se não bastasse o não pagamento integral da Revisão Geral Anual (RGA), que provocou um enorme desgaste junto ao funcionalismo, Taques não tem conseguido quitar a folha salarial em dia, transferindo o pagamento para o dia 10, gerando reclamações, principalmente devido aos salários caírem nas contas após as 18 horas.


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