Brasil

14/06/2018 09:14

Carne servida em creche municipal pode estar sendo adulterada em Cuiabá

Merendeiras de Creche Municipal denunciam que escola tá recebendo carne de terceira como de primeira qualidade

Elas falam inclusive, de que ficam revoltadas, porque fazem cursos de capacitação, onde aprendem a identificar os mais diversos tipos de carnes 

A merenda escolar servida nas CMEIs e EMEBs é um benefício bancado pela prefeitura municipal da capital 

 

Nesta semana, a redação do Jornal Centro Oeste Popular recebeu de funcionárias que fazem as merendas da criançada de uma CMEI (Creche Municipal), de um bairro periférico de Cuiabá, a grave denúncia de que a escola em que trabalham, está recebendo carne de terceira, como se fosse de primeira. Estas funcionárias fizeram um relato detalhado neste ofício, das condições de qualidade em que recebem o citado produto, para fazerem a merenda da criançada. Sendo que para ilustrar melhor essa grave denúncia, elas nos enviaram várias fotos dos tipos das carnes, pelo WhatsApp.   

 

Merendeiras dizem que trabalham nesta creche em período integral (manhã e tarde), e que servem 4 refeições ao dia (2 lanches e 2 refeições)  

 

As funcionárias explicam ainda, que só resolveram fazer esta denúncia ao Jornal Centro Oeste Popular, porque ficam revoltadas, ao constatarem que o tipo da carne que vem especificado na Nota Fiscal é um produto de Primeira Qualidade, neste caso Coxão Mole e, a carne que chega na creche é outra de qualidade muito inferior (músculo).      

 

“O tipo de carne na Nota fiscal dos produtos, consta como se essa carne fosse de primeira qualidade, neste caso, na embalagem, vem escrito pedaços de Coxão Mole, que é uma carne de primeira, sendo que, na realidade, são visivelmente, produtos de qualidade inferior, ou seja, carne de 3ª qualidade”, explicou o problema, a merendeira, dona M.C..

 

“Olha, dá uma revolta tão grande na gente, porque nós que trabalhamos com alimentos, sabemos, perfeitamente, distinguir o que é carne de primeira, Coxão Mole, de carne de terceira (inferior), que é o músculo. Não dá pra gente se enganar. Nós batemos os olhos e já sabemos na hora”, disse uma das merendeiras, na citada carta.  

 

Merendeiras já reclamaram na direção da creche e dizem que não adiantou de nada

 

Este grupo de merendeiras que assinaram a carta-denúncia, em outra parte desse documento, falam até que já encaminharam reclamações sobre este fato a alguém da direção da creche, onde diz que, “Já fizemos algumas reclamações ao pessoal da administração da escola e até agora não adiantou de nada, tudo continua como está. A gente parece até que fica discursando ao vento”, diz nesse trecho da carta”, outra merendeira.   

 

Negócio Milionário da Alimentos Brasil junto à Prefeitura de Cuiabá  

 

Esta empresa fornecedora da carne, no caso da Cmei, desse bairro periférico, se trata da Empresa Alimentos Brasil Ltda, que localiza-se à Rua Florianópolis, nº 52, bairro Cidade Verde, Cuiabá – MT, que, na verdade, é um imóvel onde se localiza a estrutura de manuseio (produção) do frigorífico, cujo escritório, parte administrativa, situa-se à Avenida jornalista Alves de Oliveira, nº 688, bairro Cidade Verde, Cuiabá – MT, que é um imóvel vizinho ao primeiro endereço, numa esquina.

 

Esta empresa, conforme informações do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), sob nº 06.956.839/0001-84, cujo código e descrição das atividades, consta como Comércio Varejista de Mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios - mini–mercados, mercearias e armazéns e Comércio Varejista de Laticínios e Frios.

 

Para se ter uma ideia do volume de negócios dessa empresa, junto à prefeitura de Cuiabá, somente no período de 03/01/2018 a 04/05/2018, correspondente a QUATRO MESES, foram emitidas Notas fiscais no expressivo valor de R$1.335.223,42 (hum milhão, trezentos e trinta e cinco mil, duzentos e vinte e três reais, quarenta e dois centavos), dando-se a expressiva média de R$333.805,85 ao mês.     

 

Esta empresa de propriedade do senhor Moacyr Pereira, empresário conhecido em nossa cidade e, conforme informações de terceiros, esta empresa fornece produtos, também, para o IFMT – Instituto Federal de Mato Grosso.

 

Empresa Alimentos Brasil não quis se pronunciar

 

Procuramos saber a posição da empresa Alimentos Brasil Ltda, acerca dessa grave denúncia das merendeiras da carne recebida na Cmei, reclamando sobre a qualidade da carne.

 

Estivemos na empresa Alimentos Brasil, no dia 06/06/18, por volta das 16h04 e a recepcionista Alice atendeu a equipe de reportagem do Jornal Centro Oeste Popular, através do interfone, o repórter do jornal disse que tinha uma grave denúncia a fazer para algum dirigente da empresa. Essa funcionária disse que não tinha nenhum diretor presente na empresa, pra falar sobre o assunto, pediu um telefone de contato e que algum diretor iria ligar.

 

No dia seguinte 07/06/18, por volta das 08h45, um funcionário da citada empresa ligou e disse se chamar Luiz, que é supervisor, perguntando qual o  assunto a ser tratado, o repórter explicou sobre a denúncia das merendeiras, sobre a péssima qualidade da carne que a Creche vem recebendo, como se fosse carne de 1ª qualidade. Este senhor Luiz disse que poderia ter havido algum problema no lote, que iria verificar, que telefonaria depois, só que não ligou mais para o repórter do jornal, explicando sobre o ocorrido.  

 

Secretário de Educação de Cuiabá diz desconhecer sobre o assunto

 

Procuramos entrevistar o secretário de Educação do município de Cuiabá, Alex Vieira Passos, que assim se manifestou, “Pra nós trata-se de um fato novo, não temos nenhum conhecimento sobre isso, senão já teríamos apurado. Temos hoje um Centro de Distribuição muito bem estruturado lá no Distrito Industrial. Temos uma coordenadora bem experiente com sua equipe e até convido o jornal a fazer uma visita lá. E os alimentos frios (carnes), são entregues direto nas unidades, que lá tem a inspeção que deve ser feita”.

 

Durante a entrevista a Assessora de Imprensa da prefeitura, jornalista Maria Barbante, que acompanhava a entrevista do secretário Alex Passos, ligou para a Coordenadora de Nutrição Escolar de Cuiabá, senhora Ana Domingas, explicando o assunto e ela disse que já ligava de volta. Dali a alguns minutos, esta senhora ligou dizendo que já sabia do assunto.  

 

Empresa Alimentos Brasil não quis se pronunciar

 

Procedimentos – “Vamos abrir já, de imediato, um procedimento, para notificar a coordenadoria, para que esta tome as devidas providências, apesar de não termos ainda de qual unidade, mas, que se comece de imediato todas as providências e inspecionar todas as unidades, todos os recebimentos dessa empresa que você mencionou”, explicou o secretário Alex Vieira Passos.

 

O primeiro passo é a abertura de um Procedimento Administrativo com o jurídico, junto à Coordenadoria Administrativa e com a Coordenadoria de Alimentação e, primeiramente, fazer o recolhimento de uma amostra dos alimentos, imediatamente.  

 

O secretário Alex Vieira foi questionado se esse tipo de situação acontece constantemente, e este assim se expressou, “já tivemos um caso isolado no passado, onde o prefeito com muita austeridade mandou trocar a empresa. Foi um caso similar, na questão da qualidade da carne. Só que temos um padrão rigoroso na questão da qualidade do alimento. Por isso que de lá pra cá, nós não tivemos mais nenhum problema com essa questão da carne e agora pode ser, né, pelo que vocês estão colocando, supostamente tenha esse problema. Nós iremos averiguar quem é o fornecedor, porque são vários fornecedores que nós temos na alimentação escolar. Vamos fazer uma amostragem desses alimentos, porque nós temos carnes entregues nas unidades. Então, a coordenadoria vai fazer essa inspeção e fazer alguns recolhimentos desses alimentos, para a gente averiguar”.

 

Alimentos Brasil Vendeu Produto Superior e Entregou de Qualidade Inferior

 

Secretário Alex Vieira foi perguntado de como fica esta situação, a empresa Alimentos Brasil vendeu produto de qualidade superior e, entregou produto de qualidade inferior, conforme fotos recebidas, porque existe a questão de diferença de preço, o secretário afirmou que, “além da qualidade da entrega, ele interfere na questão do custo, então, se for apontado, ele vai ser encaminhado para a Procuradoria e depois, para ser cobrado civil e criminalmente, a questão se houve uma perda, a gente compra um produto que foi licitado por R$10,00 e está sendo entregue um produto de menor valor, nós vamos querer de volta. O objetivo não é esse, o primeiro passo é cessar essa prática e, segundo passo, é tomar as providências dos responsáveis, seja ele, inclusive, empresa fornecedora, quem está recebendo, porque que está aceitando e assim por diante”.      

 


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