Cidades

09/08/2017 13:35 MÍDIA NEWS

Homem mantinha mulher e filhos em cativeiro em Rondonópolis

A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá) libertou uma mulher de 24 anos e duas crianças - de 3 anos e 6 meses - que eram mantidas em cárcere privado pelo pai há mais de 30 dias.

A ação aconteceu na manhã da última terça-feira (08). Segundo a investigadora da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Andreia Menezes, a Polícia Civil já estava investigando o caso desde a quinta-feira (03), após denúncias.

O bebê, de seis meses, ainda não era registrado. O pai só tinha permitido a saída da mãe para leva-lo ao médico uma vez.

“Nós tivemos que fazer o registro dela ontem, para que eles pudesse viajar. Ele nunca tinha permitido que a mãe saísse para fazer o registro do bebê”, contou Andreia Menezes.

 

A investigadora disse que a situação de saúde da mãe e das crianças era preocupante.

“Ela saiu uma vez. Ele a levou no posto de saúde, só para fazer a declaração de nascido vivo do bebê, logo quando nasceu, para tomar as vacinas. Eu não sei como está a situação de saúde dessa criança. São crianças que estão verdes, a mãe também, eles não tomavam sol”, disse.

 

A Polícia Civil invadiu a casa na terça-feira (08), após receber denúncias anônimas. 

“Nós recebemos denúncias que nos relatavam que em uma casa, no Bairro Pôr do Sol, em Rondonópolis, tinha uma situação estranha. A casa vivia trancada e as pessoas podiam perceber que havia barulho de criança dentro, mas eles nunca conseguiam ver ninguém”, disse a investigadora.

 

Na denúncia, diziam que uma criança muito raramente saía da casa para receber um homem, que aparecia no fim da manhã, ou no fim do dia, com sacolas de pão ou leite. Ele abria o portão e entrava na casa pela porta dos fundos.

 

A casa, segundo a investigadora, estava sempre muito suja na parte da frente, como se estivesse abandonada, o que chamou atenção dos vizinhos.

 

Após fazer reconhecimento do local, três policiais da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher fizeram campana próximo à residência nesta terça-feira (08). 

Como tinham a informação de que o homem sempre ia com um carro prata e também tinham a placa do carro, os policiais ficaram aguardando a chegada dele para ver se a aparência física batia com a da denúncia.

 

Quando o acusado chegou, os policiais esperaram que ele saísse e foram até a casa tentar falar com as vítimas.   

“Havia dois cachorros no quintal, um sofá encostado no vidro da janela pelo lado de fora e um pano pelo lado de dentro para que não desse para visualizar. Havia uma lona na grade do portão, que também dificultava a visualização da residência”, contou a investigadora.

 

Os policiais bateram palmas, ouviram barulho de criança e perceberam que dentro de uma das janelas havia um pano se mexendo. Porém ninguém respondia. 

 

“Aí nós resolvemos entrar. As portas estavam trancadas, as janelas fechadas com um pedaço de madeira do lado de fora, para que não fossem abertas. Nós nos identificamos como policiais e pedimos que a moça lá dentro abrisse a porta. Aí ela falou que não tinha como abrir a porta, porque ela não possuía a chave”, disse.

 

A equipe pediu autorização para arrombar a porta, que foi concedida pela mulher. 

 

“Estava em um estado deplorável, uma mulher muito assustada. Eles viviam de uma forma muito precária. Um cheiro horrível, a casa escura, muito triste a situação”, relatou Andreia Menezes.

 

“Nós conversamos com ela, o psicológico dela está totalmente destruído. É uma mulher que estava sendo vítima de violência psicológica, é uma tortura psicológica que ela viveu. Ela está há mais de 30 dias trancada naquela casa”, completou.

 

A investigadora explicou que o motivo do cárcere se deu porque a mulher tinha um relacionamento extraconjugal com o suspeito. As crianças são filhas dele e ele dizia que a mataria caso a família dele descobrisse a relação.

 

“Ele tinha muito ciúmes dela. Ela era uma moça muito maltratada, mas muito bonita, nova. Ela estava amamentando, mas não sei nem como ela ainda tinha leite naquela situação”, disse a policial.

 

A princípio a vítima disse que não era agredida fisicamente, mas, segundo a investigadora, no decorrer do dia, conforme foi se acalmando, ela afirmou que ele já a ameaçou com uma arma.

 

Os familiares da mulher não são de Rondonópolis, porém ela afirmou à polícia que o suspeito ameaçava que iria fazer algo contra sua mãe e sua filha mais velha, de 7 anos, que é de uma relação anterior e mora com o pai.

 

O suspeito irá responder por cárcere privado, ameaça e uso de droga, pois na casa ele tinha utilizado maconha na frente das crianças, o que era frequente. Mas, segundo a investigadora, ele pode vir a ser denunciado também por tortura psicológica.

 

A polícia ficou na casa aguardando a volta do suspeito, que foi preso quando retornou duas horas depois. A mãe e as crianças foram retiradas da casa e encaminhadas para outra cidade. A localização não será divulgada para a segurança dos três.

 

A delegada Karla Cristina, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis, será a responsável pelas investigações do caso.

 


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