Cidades

10/08/2017 08:47 GAZETA DIGITAL

Associação dos Bombeiros alega que tenente não é culpada por morte em MT

Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (Assof) saiu em defesa da tenente Bombeiro Militar, Izadora Ledur, nesta quarta-feira (9).  Ela é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelo crime de tortura que resultou na morte do aluno soldado BM Rodrigo Claro, em novembro de 2016 e virou ré numa ação penal que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá sob a juíza Selma Rosane Santos Arruda. 

Apesar das investigações sobre a conduta da tenente terem sido suspensas após ela obter direito de licença médica por 3 meses, a Associação afirma em nota encaminhada pelo presidente da Assof, tenente coronel BM Wanderson Nunes de Siqueira, que o inquérito foi concluído.

A nota classifica o evento como “coincidência” já que, a morte do soldado poderia ocorrer em qualquer outra atividade. “Entretanto nos arriscamos a afirmar que: se não fosse após o treinamento de salvamento aquático, infelizmente o Aluno Soldado BM Rodrigo poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC dormindo, correndo, realizando uma refeição ou praticando um esporte”, diz trecho da nota.

A tenente Ledur apresentou 6 licenças para tratamento de saúde desde a morte do soldado Claro. Somente em 2017 foram 4 licenças que totalizaram 5 meses e 7 dias afastada para tratamento médico. A última tem validade de 18 de julho e se encerra no dia 15 de outubro.

O MPE chegou a pedir a prisão da tenente, que foi negado pela Justiça. O órgão novamente recorreu e aguarda nova decisão judicial. Segundo o Ministério Público Ledur teria ignorado a situação de Rodrigo Claro, que demonstrou, nos treinamentos, dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outras.

A tenente teria utilizado métodos totalmente reprováveis para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda, inclusive Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

O jovem vomitou muito, apresentou fortes dores de cabeça e, por mais de uma vez, sofreu crise convulsiva, oriundas dos inúmeros afogamentos sofridos durante a instrução. Ele chegou a ser hospitalizado com um quadro de hemorragia cerebral que evoluiu para morte, após cirurgia e permanência em UTI.

Leia nota da Assof na íntegra

A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso vem a público, após concluídas as investigações realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Civil, prestar esclarecimentos sobre fatos ocorridos em um treinamento para Formação de Soldados do Bombeiro realizado no dia 10/11/2016 na Lagoa Trevisan, que após o seu encerramento, registrou o falecimento do Aluno Soldado BM Rodrigo Claro.

Nos últimos meses temos acompanhado uma verdadeira condenação em praça pública da Tenente BM Izadora Ledur, com matérias e comentários tendenciosos que tentam convencer a opinião pública, de que a Oficial teria relação com a morte do aluno soldado Rodrigo Claro.

A ASSOF, que é uma entidade de classe que representa os Oficiais da PM e do Bombeiro de Mato Grosso, após analisar com muito cuidado os inquéritos que foram realizados se sente à vontade e na obrigação de esclarecer a sociedade Mato-grossense do não envolvimento da Tenente Ledur, nem de nenhum Oficial ou Praça do Corpo de Bombeiros na morte do jovem Rodrigo Claro.

Para realizarmos tal afirmação, tomamos o cuidado de lermos todos os depoimentos que foram prestados nos inquéritos e deles conseguimos inferir que no dia 10 de novembro de 2016, o 2º Pelotão do Curso de Formação de Soldados do Bombeiro participou na Lagoa Trevisan de um treinamento da disciplina de “Salvamento Aquático”.

A aula prática que teve início as 14 horas, encerrou-se as 18 horas e foi ministrada pela Tenente BM Ledur e pelo Tenente Coronel BM Marcelo Reveles, além de outros monitores, especialistas na matéria.

Durante o treinamento não foi registrado nenhum incidente do tipo afogamento, torções ou fraturas, a não ser, um mal súbito no aluno soldado BM Rodrigo Claro, que dizia sentir dores de cabeça e que por isso, foi autorizado as 15 horas, a retornar para o quartel do Bombeiro localizado no bairro Verdão em Cuiabá.

Chegando ao quartel o aluno soldado Claro, se apresentou ao Coordenador do Curso e disse estar sentindo dores de cabeça, imediatamente foi determinado que uma guarnição do bombeiro o conduzisse a Policlínica do Verdão, onde, após uma triagem com aferição da pressão arterial e exames preliminares, foi classificado como paciente sem risco (verde) e após algum tempo, foi atendido e medicado por uma médica plantonista.

Passadas algumas horas, o aluno soldado Rodrigo Claro começou a convulsionar e a partir daí, foi submetido a tratamento emergencial e encaminhado a um hospital particular, más infelizmente no dia seguinte ele veio a óbito.

A grande repercussão e as suspeitas de que a morte do aluno soldado Claro havia sido provocada por excesso no treinamento ou maus tratos por parte dos instrutores, culminou com a instauração de dois inquéritos, um no Corpo de Bombeiros e outro na Polícia Civil.

Durante os inquéritos foi solicitado da Polícia Técnica (Politec) um exame minucioso do jovem Rodrigo Claro e os peritos ao final, foram categóricos em afirmar que:

1. A morte de Rodrigo Claro se deu por hemorragia cerebral de causa natural;

2. Além das feridas provenientes do tratamento médico recebido na policlínica do verdão e no hospital particular, não se observou nenhum outro vestígio de lesão traumática recentes na superfície externa do corpo;

3. Perguntado se a morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura ou por outro meio insidioso ou cruel, os peritos responderam que não.

De posse das informações periciais e ainda, considerando informações preliminares que dão conta de um histórico familiar, onde existe registros de parentes do Aluno Soldado BM Rodrigo Claro que já vieram a óbito ou se encontram enfermos provenientes de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Levando-se em conta vídeos e fotografias produzidas durante o treinamento e ainda, as informações prestadas pelos alunos do curso, instrutores e monitores nas oitivas, a Associação dos Oficiais afirmar e reafirma que o treinamento e as instruções de salvamento aquático que o aluno soldado BM Rodrigo Claro participou no dia 10 de novembro de 2016, não contribuíram nem tiveram relação de causa e efeito com a sua morte.

A Associação dos Oficiais desde o primeiro momento entendeu necessária a apuração da causa da morte do jovem Rodrigo, pois somos contra qualquer tipo de excesso e defendemos a verdade e a correição, por isso, entendemos a dor da família.

Entretanto nos arriscamos a afirmar que: se não fosse após o treinamento de salvamento aquático, infelizmente o Aluno Soldado BM Rodrigo poderia vir a óbito ou sofrer sequelas provenientes de um AVC dormindo, correndo, realizando uma refeição ou praticando um esporte.

Por esse motivo, a ASSOF reafirma o seu compromisso com os associados e com a sociedade Mato-grossense de continuar defendendo as coisas certas e lutar pela verdade, más tem clara convicção de que nem a Tenente Ledur nem os demais instrutores e monitores da disciplina de salvamento aquático tiveram qualquer relação com a prematura morte aluno soldado BM Rodrigo Claro.

Por amor ao debate e em respeito à sociedade que precisa estar informada sobre todo o caminhar dessa apuração, nos colocamos a disposição dos veículos de informação, para prestar quaisquer outros esclarecimentos que se façam necessários.

 

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