Economia

07/08/2017 16:23

Francisquito é esperança de renda para 32 haitianas em Cuiabá

O biscoito francisquito, tão apreciado pelos cuiabanos, está se transformando em esperança para 32 mulheres haitianas que vieram para a Capital mato-grossense em busca de uma vida melhor, mas devido à crise financeira do Brasil, aliada à dificuldade em aprender a língua portuguesa, não estão conseguindo arranjar emprego.

Iolene Jean, 34, está há 5 anos em Cuiabá e foi uma das primeiras a deixar a terra natal em busca de uma oportunidade no Brasil. Chegou falando o crioulo e o francês. Hoje fala o português com alguma dificuldade, aprendeu a língua no dia a dia. Diz que trabalhou como auxiliar de serviços gerais em empresas da construção civil e bufet.

Entretanto, há 1 ano e 4 meses está desempregada e ao invés de mandar dinheiro para a família que ficou na cidade de Gonoives, no Haiti, eles que acabam enviando dinheiro para ela se manter em Cuiabá. “Tenho esperança de que a venda dos francisquitos vai mudar as coisas”, acredita.

O curso para aprender a receita e transformar o produto em renda faz parte do projeto “Mulheres haitianas”, uma iniciativa dos auditores fiscais do Trabalho de Mato Grosso e abraçada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O projeto é desenvolvido ainda com apoio da Pastoral do Migrante e o curso de Gastronomia do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag). A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) apoia o projeto ofertando cursos de português para as haitianas.

De acordo com a auditora fiscal do Trabalho, Marilete Girardi, que acompanha a situação das haitianas em Cuiabá, atualmente vivem em Mato Grosso cerca de 5 mil haitianos. O auge na imigração ocorreu nos anos de 2013 e 2014, por conta das obras da copa. Desse total, 1 mil são mulheres e o desemprego atinge 90% delas. “O que essas mulheres querem é trabalhar, gerar renda e mandar dinheiro para a família. É muito frustrante sair em busca de oportunidade e se deparar com situação de dificuldade”, analisa. “Se para quem mora aqui, tem família e uma estrutura de apoio mesmo que precária já é difícil imagina para quem não tem essa rede”, compara a auditora.

A coordenadora da Pastoral do Migrante, Eliana Vitaliano, explicou que a maior barreira está na linguagem. Os homens são afetados pelo desemprego também, mas em menor proporção, cerca de 30%. “Muitos homens falam além do crioulo o francês, pois vão para escola e a língua é obrigatória. A maioria das mulheres não foi para a escola no Haiti e tem mais dificuldade para aprender outra língua”, explica.

Para tentar reverter a situação as entidades buscaram parcerias para qualificar essas mulheres. Depois de receber aulas de culinária, a 1ª turma, formada por 32 alunas está preparada para vender seus francisquitos, com um toque haitiano. “Mostramos várias receitas para elas e elas optaram por este biscoito cuiabano. Elas queriam imprimir a marca delas no produto e introduziram o amendoim torrado. Fizemos testes e deu certo. Elas conseguiram casar bem o sabor haitiano com Cuiabá”, elogiou a coordenadora do curso de gastronomia do Univag, Adriene Paiva.

“Esta é uma oportunidade de se recriar e gerar renda a partir dos conhecimentos na área gastronômica” comenta Bianca Pistorio Consultora da OIT. “Agora a proposta e insere-las nos grupos de Economia Solidárias da Baixada Cuiabana”, planeja.


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