Economia

12/04/2018 09:31 Diário de Cuiabá

Renda média dos matogrossenses sobe 7%

Os mato-grossenses tiveram média mensal de rendimento per capita de R$ 4.123 no ano passado. A cifra é 7% maior do que os R$ 3.854 da média contabilizada no ano anterior. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) – Rendimento de todas as fontes, de 2017, divulgada ontem pelo IBGE e que mensurou a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita efetivamente recebido no mês de referência, a preços médios do ano. 

O valor registrado pelo Estado foi o terceiro melhor do Centro-Oeste e ficou entre os 15 melhores do Brasil e supera a média nacional de R$ 2.178. 

Ainda conforme os números apurados pelo IBGE, o rendimento mensal real domiciliar per capita encolheu em 2017 em Mato Grosso do Sul, de R$ 3.514 para R$ 3.425, em Goiás aumentou de R$ 7.856 para R$ 8.685 - a maior média do Centro-Oeste – e o Distrito Federal, de R$ 7.307 para R$ 7.747. A média mensal da região, em R$ 2.512 é o maior do Brasil em 2017. 

A publicação revela que a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita, em 2017, foi de R$ 263,1 bilhões. Deste total, os 10% da população com os maiores rendimentos ficavam com 43,3% do total. Os 10% menores rendimentos detinham apenas 0,7% da renda. 

Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, os números mostram que a desigualdade ainda é grande no país. "Vamos separar a população inteira, do mais baixo ao mais alto. Se você pega metade dela, verá que a média de rendimento médio dos 50% que ganham menos é de R$ 754, valor mais que 36 vezes menor do que o rendimento da população que ganha os maiores salários, e que chega a R$ 27.213. Os 10% com os maiores rendimentos chegam a deter 43% do total recebido”, afirmou. 

A pesquisa mostra ainda que em 2017, o país tinha 207,1 milhões de habitantes. Desse total, 124,6 milhões (60,2%) possuíam algum tipo de rendimento. A região Sul (66%) teve o maior percentual de pessoas com algum rendimento, a Norte (52,6%) e a Nordeste (56,5%), os menores. 

As pessoas com rendimento de todos os trabalhos correspondiam a 41,9% da população residente (86,8 milhões) em 2017, enquanto 24,1% (50,0 milhões) tinham algum rendimento de outras fontes. Em 2016, esses percentuais eram: 42,4% dos residentes tinham rendimento de todos os trabalhos (87,1 milhões) e 24% possuíam rendimentos de outras fontes (49,3 milhões). 

A região Sul, em 2017, apresentou o maior percentual de pessoas com rendimento efetivamente recebido de todos os trabalhos (46,8%) e o segundo maior percentual com rendimento proveniente de outras fontes (25,9%). 

Por sua vez, o Nordeste tinha o menor percentual de pessoas com rendimento efetivamente recebido de todos os trabalhos (34,7%) e o maior percentual daquelas que recebiam de outras fontes (27,8%). 

Os dados fazem parte da pesquisa "Rendimento de todas as fontes", um extrato da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada nesta quarta (11). É a segunda vez que os dados são compilados pelo IBGE e, por isso, não há comparações de médio e longo prazo. 

CONCENTRAÇÃO - O rendimento médio mensal dos trabalhadores mais pobres no Brasil caiu a R$ 47 em 2017, ante R$ 76 no ano anterior, mostra o IBGE. 

Esse contingente soma cerca de 4,5 milhões de pessoas, ou 5% de todos os brasileiros que tiveram renda do trabalho no ano. 

A queda reflete a situação do mercado de trabalho no país, com o fechamento de vagas com carteira assinada. Também caiu a renda média dos trabalhadores que estão entre os 1% mais ricos, que passou de R$ 28.040 para R$ 27.213. 

A pesquisa verificou estabilidade na desigualdade de renda no país. Assim como no ano anterior, os 10% mais ricos concentraram em 2017 43% da massa de rendimentos do país, que somou R$ 263 bilhões. A diferença salarial entre o 1% mais rico e os 50% foi de 36,1%, estável em relação aos 36,3% verificados em 2016. 

"Apesar da estabilidade, os dados mostram que o Brasil é um país de grandes desigualdades, na comparação com outros países, e de grandes desigualdades internas, se compararmos entre as regiões", disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. 

A pesquisa detectou que, com a crise, aumentou a participação de outras fontes, além do trabalho, na renda dos brasileiros. 

A fatia referente a rendimentos obtidos com trabalhos caiu de 74,8% para 73,8%. Com relação a 2016, o número de brasileiros que recebeu rendimentos de todos os trabalhos caiu 0,4%, de 87,095 milhões para 86,785 milhões. Já os que têm outras fontes de renda cresceu 1,3%, de 49,314 milhões para 49,957 milhões. 

Nas outras regiões, segundo o IBGE, houve aumento do rendimento médio mensal, considerando todas as fontes de renda. A maior alta foi verificada no Centro-Oeste, beneficiado pelo desempenho da agroindústria, onde o rendimento mensal cresceu 3,7% em 2017, para R$ 2.512. 

Já o rendimento médio de outras fontes foi de R$ 1.382, alta de 2,3% com relação a 2016. Neste caso, a alta foi verificada em todas as regiões. Entre as pessoas que declararam ter recebido outras fontes de renda, 14,1% citaram aposentadorias e pensões. Outras 2,4% disseram receber pensões alimentícias, doações ou mesadas e 1,9%, aluguéis e arrendamentos. 

De acordo com o IBGE, 7,5% dos entrevistados disseram receber outros rendimentos, como seguro-desemprego, programas de transferência de renda ou rendimentos de poupança, queda de 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior. 

Considerando a renda do trabalho com outras fontes, a renda mensal do grupo que compõe os 5% mais pobres foi de R$ 40, contra R$ 49 no ano anterior. Já entre os 5% mais ricos, foi de R$ 15.504. 

Apesar da crise, o percentual de domicílios brasileiros que recebem o programa Bolsa Família caiu para 13,7% em 2017, ante 14,3% no ano anterior. De acordo com a pesquisa, o rendimento médio mensal dos domicílios que recebem Bolsa Família foi de R$ 324 em 2017. 


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