Economia

07/05/2018 16:08 AGRO OLHAR

Empresária aposta em "casa sobre rodas" para economizar até R$52 mil ao ano; conheça vantagens

Sinônimo de independência, desapego e aventura, as viagens de trailer ou motorhome, inspiraram gerações das décadas de 60 e 70 a cair na estrada, sobretudo, nos Estados Unidos. Longe de cair no esquecimento, estes veículos, cada vez mais sofisticados e confortáveis, continuam a chamar atenção de muita gente, representando também uma nova forma de economia. Foi esta a motivação para a empresária Michele Velho, que desde 2017 abriu mão das diárias de hotel, com as quais gastava cerca de R$ 52 mil anuais, e investiu na customização de um ônibus.

Natural de Concórdia, em Santa Catarina, ela, o marido, Oberdan Wasem, e a filha, Valentina (de apenas três meses), chegaram a Cuiabá na última semana junto com o evento Food Trucks do Brasil, organizado por sua empresa. “Demos início ao festival na nossa região. Começaram então a surgir pedidos para fora dali e começamos cada vez mais ir mais longe e mais longe”, conta. Hoje já são 12 estados brasileiros percorridos por eles. 


A expectativa agora é que em aproximadamente um ano e meio o investimento no motorhome, avaliado em R$180 mil, seja pago. Antes dele, a família se deslocava Brasil afora em uma caminhonete e um caminhão pequeno, hospedando-se sempre em hotéis. O gasto médio com as diárias aumentaria  para R$ 82 mil a partir do próximo mês, com a chegada de uma babá e a presença de Luís, braço direito de Michele nos negócios.
 
A frente dos negócios, a empresária também é responsável pelo volante, já que Oberdan não possui CNH. "Eu sou mais matemática, aceitei o desafio mais por conta dos  gastos, e ele pela aventura”, diz.
Planta de veículo semelhanda ao da família catarinense/Reprodução- Internet
Ela garante que até o momento não houve nenhuma situação de risco pelas rodovias do país. “Em 2016 fomos até o Mato Grosso do Sul e depois subimos mais. Em 2017 fomo até o Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso. Passamos pela famosa BR-319 e também pela transamazônica. O único problema que enfrentamos às vezes é ficarmos quebrados na estrada. Na transamazônica a gente atolava, tinha voltar e puxar, mas eu não ligo.”

Com o ônibus as coisas ficaram mais confortáveis, no entanto, algumas mudanças de hábito precisaram ser adotadas, incluindo redução no consumo de água e energia. Para fechar a série de itens economizados, o gasto com a gasolina também ficou mentor, se comparado aos outros dois veículos utilizados anteriormente. Segundo ela, o motorhome faz uma média de 6 km por litro.

O veículo foi comprado e adaptado por uma empresa de Joinvile, onde o casal conseguiu fazer tudo do seu jeito, incluindo a decoração e as cores. Já na entrada a sala, em estilo americano, tem sofá espaçoso e mesa para quatro pessoas. As cortinas e almofadas são um capricho a parte. Na cozinha e banheiro, as pastilhas foram cuidadosamente escolhidas. Já o quarto do casal comparta cama tamanho king size, e é antecedido por outro cômodo menor, com cama de solteiro.
Dependendo do modelo e do preço, o luxo vai aumentando. Podem possuir: televisões, dvd’s, microondas, lava-louça, lava-roupa, secadora, ar condicionado, som, gerador, macacos de nivelamento hidráulicos e etc.

De acordo com Michele, embora o motorhome tenha ficado pronto em 60 dias, a média de tempo é normalmente de seis meses, uma vez que se trata de  um trabalho minucioso. ​“Algumas coisas não dá pra escolher. Por exemplo, eu queria uma geladeira maior, mas não pode por conta do espaço.”

O dispositivo conta ainda com água quente e fria, aquecimento a gás, e duas caixas d’água na parte de baixo. São 300 litros de água boa, para as torneiras e chuveiro e uma caixa de 150 para o vaso. Para a saída há uma de 200 e outra de 150. Todas estas instalações são feitas pela parte inferior do veículo, onde as caixas de entrada e saída e de água estão armazenadas.

Com relação aos desafios e delícias de viver sobre rodas, da principal dica é adaptação e a parceria. “Eu gosto da estrada, me adapto, faço amizades com muita facilidade. Você tem que se adequar a cada região, a cultura de cada cidade. Em todo lugar que nós passamos, levamos as amizades. Temos histórico de pessoas que trabalham com a gente e depois mandam mensagem dizendo que estão com saudade, querendo saber quando vamos voltar. É um vínculo muito legal” afirma.

Valentina já nasceu no mesmo embalo e duas semanas após chegar ao mundo, caiu na estrada com os pais, que passam apenas dois meses do ano em Concórdia, com a família. Para Michele, as dificuldades enfrentadas com a pequena são as mesmas pelas quais passam as outras mães. O importante para ela é não ter frescura. “É a mesma coisa pra cuidar dela, claro sem frescura. O que favorece muito é que somos bem pé no chão e muito parceiros", finaliza.

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