19 de Junho de 2019

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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019, 10h:46 - A | A

Marcos Roberto Sovinski “A integração e o trabalho em conjunto das forças armadas têm contribuído para a queda nos índices de criminalidade”

Jose Trindade/ Redação

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José Ribamar Trindade

Especial para o CO Popular  

CO Popular – O senhor se considera um policial duro, que gosta de combater bandidos?

Marcos Sovinski - Não. Hoje as coisas não podem mais ser resolvidas de forma dura, pois a sociedade mudou e a polícia também. O preparo técnico e intelectual, o uso de ferramentas tecnológicas e de análise criminal, e o constante aprimoramento, exigem que o policial militar seja justo.  O avanço do crime organizado, do tráfico de drogas, das facções criminosas, exigem do policial um preparo psicológico maior, para saber dosar a energia necessária em uma ocorrência, com a garantia dos direitos humanos do cidadão. Digo sempre que sem coragem não há policial, e a sociedade espera que quando algo de ruim aconteça, seja atendida por um policial educado, polido, preparado, e ao mesmo tempo com a coragem para enfrentar bandidos. Todo policial que trabalha nas ruas precisa ser duro, mas sobretudo justo. Nossa profissão exige rusticidade nas ruas, ou você sofre as consequências. Mas não abro mão do tratamento respeitoso às pessoas de bem.

CO Popular – O senhor gosta de estar nas ruas, à frente das tropas. Isso é vontade de trabalhar duro, ou é para não soltar as rédeas das tropas?

Marcos Sovinski – Quando você está no comando de tropa, se vê obrigado a decidir muita coisa no campo penal militar, estratégico, tático, operacional ou administrativo, que geram consequências na vida do policial militar e da sociedade. Comandante precisa sentir o cheiro da rua, da viatura, do colete a prova de balas, saber como a tropa está se alimentando, como estão os armamentos, as munições, o estado das viaturas, a moral da tropa. Precisa tomar decisões estratégicas em grandes operações, integrar com outras instituições, e por isso precisa conhecer as ruas, o crime, a sociedade, os gargalos. Claro que você tem a estrutura da PM para auxiliar isso, mas o contato com as ruas é fundamental para ver de perto o que seus comandados estão enfrentando, suas forças e suas fraquezas. Gosto de estar nas ruas sim, mas a função de Comandante Regional é maior. Planejamento, organização, controle, decisão, são atribuições que não se podem estar em segundo plano. Quanto ao soltar ou não as rédeas da corporação não, vejo por esse lado. Cada unidade policial tem seu comandante imediato que exerce a fiscalização direta das ações dos policiais militares nas ruas, e que posteriormente são encaminhadas ao Comando Regional que apura e investiga as ações em andamento ou já finalizadas. A tropa hoje é consciente, cada um responde pelo seu CPF. Compete ao comando fiscalizar e orientar a ação policial. Minhas ações na rua têm como principal finalidade, somar esforços com os policiais na busca por melhores resultados.

CO Popular – Qual a região é mais violenta e mais difícil para se combater a bandidagem em Mato Grosso?

Marcos Sovinski – Cada região possui características peculiares e por isso não se pode afirmar que seja mais violenta ou não em relação a outras. Nas quatro maiores cidades do Estado concentram-se os maiores problemas. Cuiabá, Várzea Grande, Sinop e Rondonópolis, foram responsáveis por 30% dos homicídios no Estado, no primeiro trimestre de 2019. O risco de um confronto policial nestas cidades é maior, porém, a Polícia possui uma melhor estrutura nestes locais. Nas cidades médias ou pequenas, com uma estrutura proporcionalmente menor, o risco dos confrontos é menor, todavia, o risco ao policial não deixa de existir. Em alguns locais, existe uma viatura para atender regiões imensas e em que um eventual reforço de cidade próxima pode levar horas pra chegar. Quanto maior a distância de uma guarnição mais próxima, maior será o risco para o policial e sua equipe.

CO Popular – Em uma ocorrência policial, considerada de alto risco, onde os bandidos estão fortemente armados e fazem reféns durante um roubo, qual a estratégia?

Marcos Sovinski - Existe uma doutrina policial de gerenciamento de crise para ocorrências com reféns que deve ser seguida nesses casos. São consideradas de alta complexidade e possuem protocolos, que se forem seguidos o risco de um resultado não esperado diminui. As características principais destas ações são grave ameaça a vida, imprevisibilidade do resultado, compressão de tempo para tomada de decisão, alto nível de tensão, conflitos de competência entre as forças de segurança, impacto social elevado. Em cidades com estrutura policial completa, a força tarefa acaba sendo montada na cena de crime, cabendo ao comandante a coordenação do trabalho. É preciso analisar o ambiente para compor a força tarefa, seja com bombeiros, policiais de trânsito, socorro de urgência, apoio aéreo, equipes de contenção, comunicação, atividade de inteligência, negociador, grupo tático de intervenção, e até mesmo atiradores de elite. Se faz necessário a contenção da crise para que não se alastre, isolando o local de forma adequada e segura, e estabilizando o clima entre criminosos, reféns e policiais que fizeram a primeira abordagem. Criando condições para uma negociação, liberação dos reféns, rendição, preservação do local para perícias e conduçãodos criminosos e materiais vinculados para o trabalho da Polícia Civil. Preservar vidas será sempre a prioridade neste tipo de ocorrência, vítima, policiais, testemunhas sempre terão prioridade. Negociar é o foco nesse tipo de ocorrência, é a orientação a qualquer policial numa ocorrência desse porte.

CO Popular – Qual seria sua reação se soubesse que do outro lado da trincheira durante uma troca de tiros estivesse um filho, um parente ou um bandido amigo seu?

Marcos Sovinski - Um filho é seu maior bem, carne de sua carne, sangue do seu sangue, aos demais, a lei.  Um filho não ama o pai, como o pai ama seu filho. Qual pai não daria a vida por seu filho? Qual pai não passaria fome para alimentar seu filho? Educo os meus da maneira que consigo, e peço a Deus que sigam o caminho do bem, que sejam pessoas boas.

CO Popular – O senhor já teve que matar um bandido em um confronto armado, ou só comanda a tropa numa ação de alto risco?

Marcos Sovinski - Tenho 26 anos na Polícia Militar e participei de vários confrontos. Houve situações de confronto com morte de bandidos, mas isso não me alegra, nem me faz melhor do que ninguém. Não me arrependo de nada que fiz, pois jamais prejudiquei cidadão de bem. Em uma troca de tiros, existe ordem de prioridade, a sua vida, do seu colega e por último a do bandido. Você pensa em se defender, cessar a agressão. Toda ação gera uma reação, e se um criminoso atira contra um policial, ele assume o risco de vir a óbito. Não que este seja o resultado esperado por nós, mas é o risco assumido pelo criminoso.

Quando fico sabendo de confronto em nossa região, a primeira preocupação é saber se os policiais estão bem.

CO Popular – Comandar o 2º Comando Regional, uma grande região, onde tem Várzea Grande, Livramento e outras cidades da Baixada Cuiabana apontadas como corredores do pó, é uma tarefa difícil?

Marcos Sovinski - Cada região do Estado, cada cidade possui características peculiares. Nossa regional apresenta 50% de redução nos casos de homicídios em todo o Estado, com em relação a 2018. Furtos e roubos também diminuíram em um percentual menor, e é nesse foco que trabalhamos. Hoje temos uma ótima integração com outras forças de segurança e esse trabalho em conjunto tem contribuído para a queda nos índices de criminalidade. O desafio é enorme, mas a vontade de fazer o melhor para regiãoé maior.

CO Popular – A Segurança Pública de Mato Grosso está em boas mãos? A sociedade pode confiar, ou falta algo?

Marcos Sovinski- Os números mostram que o caminho está certo. O secretário de Segurança Pública, dr. Alexandre Bustamante tem experiência e conhecimento técnico invejável sobre os problemas da segurança pública em nosso Estado. Tem nosso apoio em seu trabalho, e já está colhendo os frutos, com a redução dos casos de roubos, furtos e homicídios no Estado. Existem problemas pontuais em algumas cidades, mas que a reação das forças de segurança certamente trazem melhores resultados.

CO Popular – Na sua concepção, a droga não é apenas o caminho para a destruição do ser humano, mas também serve como trampolim para a violência de um modo em geral?

Sovinski – Sim. Existe esta relação entre violência e as drogas. Se tem compra , tem quem produz e quem vende.  Grande parte dos crimes de homicídios, roubos e furtos estão relacionados com o tráfico de drogas. Mais isso não significa que todo usuário de drogas irá cometer crimes desta natureza. A disputa por pontos de drogas, cobrança de dívidas,busca por dinheiro fácil para compra ou pagamento de dívidas, fazem parte do DNA de muitas ocorrências de homicídio, roubo e furto, além de agressões, lesões corporais, ocorrências de Maria da Penha, ameaças, etc. Atualmente, o tráfico de drogas tem contribuído para um elevado número de roubos de veículos para comercialização e troca por drogas e prática de roubos ou clonagem.  

CO Popular – Como o senhor analisa a questão onde a polícia prende e a Justiça solta?

Marcos Sovinski- As mudanças na legislação precisam ser feitas. Não podemos exigir que a população aceite o furto, porque as leis não coíbem.  Precisamos de leis que protejam as pessoas, foi pra isso que organizamos em sociedade.

CO Popular – Qual a maior dificuldade da Segurança Pública em Mato Grosso e no Brasil?

Marcos Sovinski - A segurança pública possui muitos desafios em Mato Grosso assim como o Brasil. A população carcerária não para de crescer e consome boa parte dos recursos financeiros da pasta. Exigem investimentos para abertura de vagas e melhoria nas condições dos detentos. Muita tecnologia deverá ser empregada nos próximos anos nos estabelecimentos penais. Mas a sociedade tem demonstrado cansada de pagar essas contas. As polícias são feitas de homens e mulheres, e estes se aposentam, sendo necessária a reposição dos quadros através de concursos. Em Mato Grosso existe essa problemática, e em outros estados, na União a realidade não é diferente. Desejo que o governador Mauro Mendes e sua equipe encontrem os melhores caminhos para contornar estes desafios para retomar as rédeas financeiras do Estado de forma a equilibrar as contas para manter as Instituições sempre firmes no combate ao crime no Estado. Outro grande desafio, é a flexibilização para compra, posse e porte de armas decretado pelo presidente Jair Bolsonaro.

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