Entrevista da Semana

“Farei uma gestão voltada para resultados, diminuindo o tempo de resposta ao cidadão”

Arthur Nogueira, pela primeira vez disputa uma eleição. Foi superintendente da PRF de Mato Grosso no período de 2013 a 2017 e, no período que esteve no cargo lidou com a gestão de inúmeros conflitos, como greve de caminhoneiros e bloqueios de rodovias por indígenas e movimentos sem terra. Candidato pela coligação Redefinindo Mato Grosso (Rede e PPL). Em entrevista, ao Jornal Centro-Oeste Popular ele destaca os motivos que levaram a entrar na política, fala sobre assuntos como saúde, educação, segurança, VLT entre outros. Confira.

 

Olho 1- “O VLT não era a opção, tinha que ser o BRT. Agora é preciso verificar o processo que o Executivo irá fazer, para posteriormente realizar o processo de decisão”.

 

Olho 2- “O processo de escuta tem que ser usado para antecipar o crime e dar a sensação de segurança para a população, não para finalidade políticas particulares, como foi o caso”

 

Olho 3- “É hora do Estado exigir a contrapartida para que os municípios possam construir as unidades de saúde da família e fazer esse atendimento e trabalhar até a média complexidade”

 

Regina Botelho

Da Redação

 

Jornal Centro-Oeste Popular- De onde surgiu a vontade de entrar na política? Por quê?

Arthur Nogueira- Pela vivencia dos anos na administração pública, percebi que o Estado é ausente nas mais diversas áreas públicas. Como atuei em uma área que todos os reflexos recaem na segurança pública, isso me aproximou um pouco mais da população, durante o período que fui superintende da Polícia Rodoviária Federal. Convivi de perto com os movimentos sociais, com os do sem-terra, caminhoneiros, índios entre outros movimentos que se instauram nas rodovias para ouvir e saber o que eles estão querendo. Todos eles reclamam da falta de atendimento dos governantes que nem se quer os escutam. Logo, se você não escuta, como vai resolver? Diante de tanto cenário de tanta corrupção, entendi que poderia contribuir como servidor público.

CO Popular - Além da carreira no serviço público e da formação acadêmica, o senhor tem experiência que o credencie a ser um bom administrador para o estado?

Arthur Nogueira- Sim. Sou da primeira turma de gestão de política estratégica para o setor público da Universidade Federal de Mato Grosso, a UFMT. Desde de lá, pratico e vivencio a gestão pública. A Polícia Rodoviária Federal é uma polícia que completa e engloba tudo que acontece em diversas áreas que estão inseridas. Essa vivencia com os prefeitos, vereadores, secretários tive durante toda minha carreira.

CO Popular- O caso dos grampos ilegais, operado pela Polícia Militar do Estado e que veio a tona no ano passado, é uma prova de que a segurança em Mato Grosso foi usada para práticas “escutas e ilegais”?

Arthur Nogueira- Lamentável, um gestor público utilizar da estrutura para fins inclusos. A lei de escuta é muito rígida. Houve uma indução do Judiciário para que pudesse autorizar essas escutas. A estrutura da segurança pública tem que ser usada para antecipar o crime e da à sensação de segurança para a população, não para finalidade políticas, particulares como foi o caso. É deplorável você invadir a privacidade do cidadão que está pagando por isso. Com o fato se perdeu profissionais, manchou a classe de delegados e a culpa da segurança pública, envolvendo tanto a Casa Militar, Casa Civil, a Secretaria de Segurança Pública e todo esquema.

CO Popular- Com relação às obras do VLT e da COPA, o que o senhor pretende fazer, caso seja eleito?

Arthur Nogueira- O processo se encontra em andamento. É preciso em um primeiro momento, verificar o quanto já se gastou e quanto vai se gastar. O VLT não era a opção, tinha que ser o BRT.  Agora é preciso verificar o processo que o Executivo poderá fazer, para poder fazer a tomada de decisão. Precisamos lembrar que a obra envolve dois municípios vizinhos. Cuiabá já maquiou a cicatriz colocando as gramas, plantando palmeiras e se gastou mais dezenas de milhões para se fazer isso. Várzea Grande está com aquela cicatriz exposta, na principal porta de entrada do município. Não são os empresários que ali estão há anos estão sendo prejudicados, mas toda a população se sente envergonhada.  É um sistema que se não resolver, as pessoas não têm que sair dos bairros, enfrentar as mesmas dificuldades dos ônibus para chegar ao terminal do VLT, andar em linha reta e depois pegar o outro ônibus. O Estado precisa dar uma resposta a sociedade de Várzea Grande. O que vai ser feito com os 40 vagões? O que permite o processo? Como está à investigação do Ministério Público Federal e com a Justiça Federal, é preciso respeitar as decisões. Agora saiu da ossada do Executivo e envolveu outros poderes. Quem são os culpados? Será que foram identificados, punidos?

CO Popular- Na sua concepção, qual o principal gargalho de Mato Grosso?

Arthur Nogueira- Saúde. A grande parte dos municípios não se preparou  para fazer a parte básica da saúde preventiva de atendimento aos seus cidadão. Tudo começa nos municípios. Cada gestão precisa fazer seu dever de casa. Os municípios têm usado os recursos disponíveis com transporte de pacientes para as cidades onde há estruturas, isso acaba congestionamento o sistema. O sistema através da central de regulação ou da chegada de pessoas em ambulâncias e até em veículos de passeios. Será que não era hora do Estado exigir essa contrapartida para que os municípios possam construir as unidades de saúde da família para fazer esse atendimento e trabalhar até a média complexidade? Deixando para esses polos somente os casos de alta complexidade? Esse é um grande gargalho que precisa ser enfrentado e resolvido. Não se pode aceitar essas transferências, como se as pessoas fossem simples objetos de mudança.

CO Popular- Qual a sua opinião, sobre o desarmamento, aborto e casamento homossexual?

Arthur Nogueira- São discussões que devem ser tratadas com seriedade no âmbito do Congresso Nacional, foge da competência do Executivo.  A questão do aborto, ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Muito embora cientificamente, tem a questão dos fetos cefálicos, a questão das mulheres que sofrem violência, até isso precisa ser discutido e legalizado O que não podemos mais deixar acontecer é essa hipocrisia, não vamos enfrentar o problema porque é impopular, mais vire e mexe casas e clínicas clandestinas estão provendo abortos e ai até quando? É preciso se reunir com a comunidade cientifica, o respeito a religião e trabalhar sem paixão, se possível até um plebiscito para resolver essa questão. Mais eu sou contrário a retirada da vida de qualquer pessoa, independe do caso. A lei do desarmamento na época teve bastante polêmica. Precisamos de uma liberação do estado federal e municipal, a fiscalização do registro de armas. Pensar que a liberação da arma vai resolver o problema da violência, não vai. Mesmo policiais que detém o porte de arma e na maioria andam praticamente o dia todo não se veem seguros e em situação constrangedora em momentos de assalto, porque ele tem que ter uma reação. Arma não é nenhum brinquedo, é uma coisa muita séria. Precisamos fortalecer a fiscalização e para fazer o enfrentamento. O policial precisa ser empoderado. Com relação ao casamento homossexual, sou muito sereno, em relação a isso. É uma escolha de cada um, é o livre árbitro de cada pessoa. Se ele escolheu a pessoa do mesmo sexo ou não, é uma escolha dele. A vida é dele e a base da família é amor.

CO Popular- A população esta desacreditada de política, de que forma o senhor pretende atrair esses eleitores?

Arthur Nogueira- Mostrando para eles que não faço parte dos velhos grupos que fazem a política no Estado de Mato Grosso. Tenho história na administração pública, de instituição que hoje é modelo no país, com relação à tecnologia, relação aos processos todos eletrônicos, identidade visual. Uma gestão voltada para resultados, melhorando o processo e diminuindo o tempo de resposta ao cidadão que paga caro para ser atendido pela máquina pública. Convidando aqueles que não voltaram nas ultimas eleições, que anularam seu voto e mostrando que hoje existe uma opção. Acabando com o jogo entre prefeitos, secretariado e governo. Essa situação das emendas parlamentares, por exemplo, o prefeito não for da base aliada, o governador puxa saco do deputado e não fazer o toma lá, toma cá isso tem que acabar. Não concordo com essas interferências.

CO Popular- Quais são as suas bandeiras de campanha?

Arthur Nogueira- Segurança, saúde é educação. São questões que incomodam bastante a sociedade. Dentre esses três, existem diferenças. No caso da saúde, afeta uma parte da sociedade, que é a maioria que depende do Sistema Único de Saúde. A outra parcela tenta fugir desse problema pagando plano de saúde, ou particular. A educação é a mesma saúde é a mesma situação. O governador precisa trabalhar pela maioria. A segurança é diferente, pois atinge a todos.  Você não resolve o problema da segurança pública, contratando a segurança privada. É algo mais sensível que atinge a todos sem exceção. Há um investimento maciço a ser feito na educação, para de achar que só construindo novas unidades escolares irá resolver o problema. É precisa reformar as atuais já construídas, é preciso capacitar os professores de forma para melhorar o seu autoestima e trazer a tecnologia, treinando esses educadores para a escola ficar mais atrativa e diminuir a evasão escolar.

 

CO Popular- Caso eleito, quais serão as primeiras medidas efetivas da sua gestão?

Arthur Nogueira- A nomeação do secretariado. É algo seríssimo. É preciso valorizar as carreiras, identificar os profissionais que realmente têm suas técnicas e queiram participar do processo de gestão para que eles possam forma a equipe e se dar a autonomia. É a autonomia para que cada um faça seu trabalho e dai cobrarei os resultados da gestão. Apresentando planos. Sem sofrer retaliações. Arrumar a casa de dentro para fora. O governador precisa se aproximar da população, precisa ouvir é a casa da democracia.


Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo