19 de Junho de 2019

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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019, 14h:06 - A | A

Após ficar tetraplégico, atleta supera drama e volta a correr

Gazeta do Povo

Reprodução/Facebook

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Ele aprendeu a atravessar a Serra da Mantiqueira como ofício. Depois, as travessias por trilhas e cachoeiras no sul de Minas Gerais, onde nasceu, se tornaram paixão para o jovem Ilson José Jr, o Ilsinho. Jovem, sim, mas com um acúmulo de vivências que, nos relevos de sua vida, o fizeram descer ao fundo do vale para depois subir ao topo da montanha.

 

De atleta de mountain bike, de alto rendimento, Ilsinho, ficou tetraplégico após um acidente ocorrido há três anos. E cerca de sete meses depois, contrariando prognósticos da maioria dos médicos, conseguiu recuperar boa parte dos movimentos e voltar a andar. O sonho deste mineiro de Cambuí, agora, aos 28 anos, é poder novamente competir.

"Estou na fase final de recuperação. Já caminho, ando de bicicleta e já recuperei muitos movimentos. Ainda há limitações, mas continuo a fazer fisioterapia, ioga, musculação com o objetivo de me recuperar plenamente. Sonho ainda em voltar a competir."

 

O drama teve início quando Ilsinho vivia seu auge. Já havia conquistado títulos nas principais competições do País, disputado dois Pan-Americanos e treinando para novos desafios, quando se deparou com seu desafio maior. Enquanto pedalava em alta velocidade em uma região muito conhecida, próxima de Córrego do Bom Jesus, a cerca de 5 km de sua cidade natal, uma cerca colocada recentemente atrapalhou sua trajetória.

 

A queda foi tão grande que o deixou estatelado por algumas horas, até que foi resgatado por um adolescente que passava por acaso no local. Levado para o Hospital Samuel Libânio, em Pouso Alegre, já estava com os movimentos comprometidos. Não se movia do pescoço para baixo. Mas o diagnóstico de que havia uma lesão de medula só veio uma semana depois.

 

Enredo da vida

Desde o início da internação, que durou 45 dias, Ilsinho sabia que o pior poderia acontecer. Os médicos foram céticos ao falar sobre sua recuperação, do ponto de vista clínico.

 

Mas, segundo conta, foi aí que compreendeu todo o enredo de sua vida até então. Entendeu que havia um sentido no fato de ter se apaixonado pelo esporte após ter trabalhado como entregador, andando de bicicleta, aos 14 anos. E, com o esporte, teve contato com técnicas de mentalização que o ajudaram.

 

"Iniciei meu próprio tratamento logo que me vi no leito. Foram 23 dias na UTI. Desde o primeiro, comecei a mentalizar minha recuperação: me via andando de bicicleta, caminhando, fazendo musculação na academia...Foi o esporte que me ensinou a importância da mentalização, inclusive por meio da ioga. Coloquei em prática tudo o que havia aprendido."

 

Ainda no processo de cura, Ilsinho, que é noivo de Camila e pai de Maria Alice, de cinco anos, não atribui as conquistas apenas à sua força mental. Mas tem consciência de que, literalmente, ela foi um passo essencial.

 

"Foi um conjunto de fatores que me permitiram voltar a andar, desde o momento em que perdi os movimentos. A questão mental foi importante, mas o trabalho de bons profissionais que me ajudaram no tratamento clínico, na fisioterapia também foi fundamental. Foram ações que se complementaram. Mas eu tive de fazer a minha parte."

 

Menos de um ano depois da queda, Ilsinho participou da sua primeira prova oficial de corrida, a Wings for Life World Run, no Rio de Janeiro. Foi um momento de glória. Meses depois, ele também fez um percurso encurtado, em uma prova de mountain bike. Ilsinho se lembra com emoção do momento em que correu, por somente 3 km e auxiliado por uma bengala.

 

"Foi algo simbólico, que serviu para impulsionar a arrecadação de fundos para pesquisas sobre lesões medulares. Senti, porém, que era uma vitória ainda maior daquelas que havia obtido nas competições. Senti uma profunda sensação de estar voltando à vida."

 

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