Esporte

08/03/2018 14:58 OLHAR Conceito

Contrariando preconceitos, mulheres treinam rugby em Cuiabá e convidam novas jogadoras

Um esporte que nasceu na Inglaterra, entrou para as Olimpíadas em 1900, mas que, ainda hoje, é desconhecido de grande parte da população movimenta um grupo de mulheres todas as terças e quintas-feiras em Cuiabá: o ‘Rugby’. Hoje, são cerca de catorze atletas e, segundo a presidente do time, Fernanda Negro Sales, 25, ainda há dificuldade em atrair novas jogadoras por causa da desinformação.

Fernanda começou a jogar em 2015, após dois anos de insistência do irmão. “Eu descobri o rugby em 2013 mais ou menos, quando meu irmão começou a treinar”, lembra. “Nessa época, eu não aguentava o pessoal do time, porque depois que ele começou a treinar, parecia que as pessoas brotavam do chão pra falar de rugby”.
Dois anos depois, ela cedeu às insistências dos amigos e do irmão, passou a entender mais o esporte e quis participar. “Depois que comecei, não consegui deixar de lado mais”, confessa.
O rugby é um esporte coletivo disputado por duas equipes, em que os jogadores conduzem uma bola oval com as mãos, e que podem utilizar os pés para lançamentos. Fernanda afirma que a modalidade que ela e o time jogam tem regras básicas: “Os passes de bola são feitos com as mãos apenas para o lado e para trás, nunca pra frente. Apenas chutes podem disponibilizar a bola pra frente. É permitido derrubar o jogador com a posse de bola tackleando-o. O Tackle só pode ser realizado em jogadores com a posse de bola, ou seja: não pode tacklear o adversário só por ser adversário. Ele precisa estar com a bola. Esse tackle, que é o contato, tem técnica pra ser feito e só é considerado quando atinge da cintura pra baixo. Da cintura pra cima é Tackle alto, o que resulta em falta”. O objetivo do jogo é avançar no campo para marcar pontos.
Como é conhecido como um jogo de ‘contato’, muitas mulheres têm preconceito e acham que não tem condições de participar. “Sempre que falamos ‘Ei, você conhece o rugby?’ há um desconhecimento do esporte. Quando acontece de alguma moça conhecer, já vem a ideia de lesões, machucados, pernas quebradas e coisas desse tipo. Quando se fala em “esporte de contato”, a ideia geral é de que as pessoas jogam pra se bater, que todo mundo vai se machucar sempre e tudo mais”.
Apesar dessa visão deturpada, Fernanda explica que hoje o Cuiabá Rugby tem jogadoras de onze a quarenta anos de idade. “O rugby é um esporte coletivo, o que mais cresce no Brasil hoje. Como modalidade, nós temos valores praticados desde o primeiro dia de treino, que são fundamentais para o nosso esporte a nível mundial: integridade, respeito, paixão, solidariedade e disciplina. Em qualquer lugar que exista um time de rugby, esses valores estarão juntos. Além desses valores como exercício diário, nós também nos divertimos bastante. Fisicamente, os treinos e os jogos são intensos, muito intensos, mas isso não quer dizer que tem um público específico. Todas as pessoas são bem-vindas no nosso esporte, o nosso estilo de vida. É isso que é: um estilo de vida. Você acaba se dedicando diariamente, porque é uma felicidade diária”, declara.
O ‘Cuiabá Rugby’ masculino foi criado em 2009, e o feminino veio três anos depois. Nesta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o time realiza um treino aberto para homenagear todas as mulheres da cidade, a partir das 20h, no Complexo Esportivo Dom Aquino, atrás do Shopping Popular.
 
“As atletas, que acreditam que lugar de mulher é onde ela quiser, convidam a todos para participar deste dia de celebração”, afirma. “O intuito do evento é agregar, convidar para conhecer o esporte e enaltecer o dia Internacional da Mulher, por meio de um treino aberto para que o público participe. Assim, desmistificando o Rugby e aproximar amigas, irmãs, tias, primas, mães, avós e qualquer mulher que queira conhecer e participar”.


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