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10/05/2018 17:36 GLOBO Esporte

Técnico do Flamengo fala sobre escândalo na ginástica: "Assusta os pais"

O Flamengo decidiu abrir para a imprensa os treinos da ginástica artística feminina nesta terça-feira, visando o Campeonato Brasileiro, que acontece na cidade de São Bernardo do Campo em junho, no Ginásio Poliesportivo. Apesar do foco das atividades no torneio, as ginastas e os membros da comissão técnica foram muito questionados pelos jornalistas sobre os casos de abuso sexual no esporte que chocaram a modalidade, envolvendo o ex-técnico da seleção masculina, Fernando de Carvalho Lopes, abordados na reportagem do Fantástico na semana passada.

Treinador rubro-negro, Ângelo Sabino, que trabalha atualmente com o feminino no clube da Gávea, afirmou que, ainda que o caso não afete o clube de maneira direta, houve muito questionamento, sobretudo pelos pais de meninas mais novas, preocupados com o assunto. Segundo ele, o Flamengo se mexeu nos bastidores e, na base do diálogo, quer tentar prevenir que situações como essa ocorram.

- É uma coisa que assusta os pais. Nós trabalhamos com meninas muito novas, pais que não estão acostumados a ter filhos atletas. Então, logo que saiu, eu conversei com minha coordenadora e falei que achava interessante fazer uma reunião principalmente com as categorias menores. Na própria semana, juntamos as categorias mirim e pré-mirim, e conversamos sobre isso com o caráter de orientar como proceder para vida. Isso não é um problema da ginástica, nem do esporte. Mas do mundo. Prestar atenção em mudança de comportamento da criança, no que a criança fala... Qualquer dúvida, procura um professor, coordenador, supervisor para conversar, perguntar. Conversamos para orientar e acalmar - comentou Ângelo Sabino.

 
Jade Barbosa em ação no Flamengo (Foto: Divulgação/Flamengo)

Jade Barbosa em ação no Flamengo (Foto: Divulgação/Flamengo)

O técnico atua hoje com o adulto, comanda nomes como Jade Barbosa, Flávia Saraiva, Rebeca Andrade e cia. Com elas, conta Ângelo, a conversa foi um pouco diferente:

 

- Eu trabalho com adultos, elas já estão instruídas, mas não custa reforçar. Minha conversa foi no sentido de se ouvir alguém falando, levar adiante, porque a vítima sempre tem dificuldade para se abrir. Então minha conversa foi bastante nesse sentido. Perceberam algo estranho? Ajudem. Ouviram alguma coisa? Tentem ajudar. Se acharem alguma coisa, contem para um supervisor, coordenador - afirmou o comandante.

A assessoria do Flamengo informou que não há uma cartilha no clube, mas que há conversas entre treinadores de diversas modalidades olímpicas trabalhadas na Gávea para saber como proceder em situações desse tipo e, principalmente, para evitar que elas aconteçam:

- Acho que é uma coisa para a vida. O clube, escola, família, igreja, qualquer lugar de formação de cidadão é lugar para isso ser conversado. E a única maneira de minimizar é realmente o diálogo e transparência. Ver que culpados são punidos e afastados. Isso vai dar liberdade para a vítima poder falar porque ela tem medo por ser pequena. Então se ela sente que tem gente em volta dela que vai dar suporte, que vai ajudar, é muito mais fácil de pegar no início - concluiu Ângelo.


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