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13/06/2018 16:47 Gazeta Digital

Desanimado, consumidor está menos disposto a gastar com a Copa

Copa do Mundo potencializa gastos extras, mas em 2018 os consumidores estão menos animados em colocar a mão no bolso. De acordo com pesquisa realizada nas 27 capitais brasileiras e divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 24% das famílias brasileiras estão propensas a consumir mais produtos durante a Copa do Mundo.

Esse percentual representa menos da metade da proporção de brasileiros que havia declarado intenção de compras extras em 2014, motivada pelo megaevento esportivo naquele ano. Na época, 50,1% das famílias afirmaram que desembolsariam valores para acompanhar os jogos realizados no Brasil.

A mudança no comportamento dos brasileiros não está atrelada a derrota do Brasil na final da última Copa, mas as condições da economia. Segundo a CNC, apesar do país ter superado a recessão econômica, alguns indicadores continuam piores do que aqueles registrados há 4 anos. Por exemplo, enquanto no trimestre encerrado em abril de 2014, a taxa de desemprego era de 7,1% da população economicamente ativa no país, no mesmo período de 2018 o índice avançou para 12,9%.

Outro fator de desestímulo aos gastos é o aumento da taxa de juros cobrada dos consumidores na concessão de crédito, que passou de 47,9% ao ano para 55% a.a., segundo a CNC. O contexto atual é de lenta recuperação da economia e do consumo. Entre os mato-grossenses que apreciam futebol, mas nem por isso irá gastar a mais para assistir a transmissão dos jogos da Copa do Mundo está o microempreendedor Vanderlei Oliveira, 38.

“Se der tempo e a expectativa não diminuir, vou assistir aos jogos, mas sem comprar nada, porque as condições não favorecem”. Da mesma forma o radialista Luís Miguel de Lima, 54, afirma que acompanhará a transmissão dos jogos, mas dispensa a aquisição de produtos. “Acho desnecessário”. 

A maioria dos consumidores (51,6%) que confirmam intenção de gastos extras durante a Copa do Mundo preveem desembolsar R$ 200. Alimentos e bebidas lideram, com 9,9%, a intenção de compras dos consumidores motivados a gastar durante o Mundial de Futebol, mas numa proporção inferior a última Copa, quando 21,5% declararam propensão para esse tipo de despesa.

Na vice-liderança dos produtos mais buscados nesta época estão peças de vestuário masculino, feminino e infantil, com 7,5%, também abaixo dos 14,3% verificados em 2014. Terceira principal opção de compra dos torcedores em 2018 são os aparelhos televisores (4,3%), também abaixo de 2014 (13,3%).

“Gastei até agora R$ 200 com camisetas para meus 2 filhos, mas a despesa vai aumentar porque assistiremos ao jogo de domingo (17) em família. Vamos reunir umas 30 pessoas”, revela a empresária Mariele Bernardo, 35.

Empresas podem negociar liberação

Os jogos da Seleçao Brasileira na Copa do Mundo da Rússia motiva ajustes no expediente das empresas privadas e do serviço público. O governo de Mato Grosso decreta ponto facultativo e agencias bancárias anunciaram alterações nos horários de transmissão dos jogos da seleção verde-amarela. Além dos bancos, demais empresas do setor privado podem optar pela liberação dos funcionários nessas datas com compensação posterior de horas, mediante acordo entre patroes e empregados, segundo especialistas em Direito do Trabalho.

A estreia do Brasil no Mundial será no domingo (17) as 14h, horário local, contra a Suíça. O próximo jogo será na sexta-feira (22), as 8h (horário local), contra a seleção da Costa Rica. Nesta data, funcionários do setor bancário atenderão aos clientes mato-grossenses das 12h às 16h, segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Na sequencia, a seleção brasileira enfrentará o time da Sérvia, no dia 27 (quarta-feira), as 14h, horário local. Nesta data, o atendimento bancário será das 8h as 12h. “Seremos liberados apenas no horário dos jogos, mas iremos trabalhar”, reforça o funcionário de uma rede bancária privada que não quis ser identificado.

Segundo a advogada trabalhista Ludimila Paula Pereira, a dispensa do funcionário para assistir aos jogos do Brasil na Copa fica a critério da empresa, já que não está prevista na legislação e nem em acordos coletivos de trabalho. “Caberia uma compensação de jornada, desde que seja permitido isso no contrato de trabalho”, completa. “Os dias de jogos não são considerados feriados e as empresas não são obrigadas a liberar seus funcionários. Contudo, recomenda-se analisar o impacto no ambiente de trabalho”, complementa o advogado Vitor Roberto Carrara.

Conforme ele, é factível que empresas e empregados, com base na nova lei trabalhista, vigente desde novembro de 2017, realizem acordos individuais para compensação dos dias ou horas dos jogos. Outra opção é as empresas fornecerem local adequado para que os funcionários assistam as partidas na própria empresa.

No segmento do comércio, os lojistas podem definir junto com os funcionários como será o funcionamento das empresas nos dias dos jogos da Seleçao Brasileira, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Nelson Soares Júnior. No segmento industrial, a suspensão temporária da produção industrial é inviável, considera a presidente da Associação dos Empresários do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), Margareth Buzetti.

O governo de Mato Grosso decretou que nas datas em que os jogos acontecerem no período vespertino, portanto no dia 27 deste mês, o atendimento ao público será das 8h às 12h. Quando as partidas forem pela manha, como é o caso do dia 22, será ponto facultativo, sem prejuízo a manutenção dos serviços essenciais.


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