Geral

06/11/2018 15:14 G1

Médico diz ter sido demitido de hospital de MT após vazamento de documento em que relata falta de remédios e materiais

Um médico infectologista fez uma carta alegando que foi demitido do Hospital Regional de Sinop, a 503 km de Cuiabá, a pedido da Secretaria Estadual de Saúde (SES), após o vazamento de um documento interno em que ele teria solicitado o fechamento da porta do hospital por falta de materiais e medicamentos a fim de evitar riscos de sequelas e óbitos a pacientes internados.

A nota emitida nessa segunda-feira (5) pelo médico Ricardo Franco, que ocupava o cargo de Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da unidade, é direcionada à direção da unidade, ao Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), ao Ministério Público Federal (MPF), ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao corpo clínico do hospital. Ele foi demitido no dia 2 deste mês.

A SES informou por meio de nota que a administração do hospital é de competência do Instituto Gerir e não quis se manifestar sobre o caso.

Fim do estoque

Ricardo afirma que o documento expedido por ele e que teria vazado foi feito depois que ele, enquanto chefe de setor, recebeu um comunicado da farmácia da unidade de saúde de que o estoque de materiais e medicamentos tinha se esgotado e que não havia previsão de compra ou chegada para reposição.

Dever profissional

"Importante destacar que minha atitude ao expedir o documento endereçado à administração do hospital foi no intuito de cumprir com o meu dever de médico, obedecendo o código de ética médica", diz, ao citar o Artigo 2 do capítulo 1, o qual estabelece que "o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional".

Além disso, ele argumenta, com base no mesmo código, que o profissional deve suspender as atividades, de forma individual ou coletiva, quando a instituição pública ou privada onde trabalhar, não oferecer condições adequadas para o exercício profissional e comunicar a decisão ao Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), e não pode causar dano ao paciente por imprudência e negligência.

“Como é sabido, o estado de Mato Grosso terceirizou a administração do Hospital Regional de Sinop ao Grupo Gerir, e o que me surpreende é ter recebido a carta de demissão da Secretaria Estadual de Saúde”, diz Ricardo, no documento.

No entanto, o médico alega que não havia divulgado nenhuma informação sobre os problemas no hospital e que não deveria ter sido demitido pela SES, já que havia sido contratado pela empresa terceirizada que administra a unidade.

Falhas constantes e 'punição'

Há inúmeros pacientes aguardando cirurgias, que não são feitas por falta de materiais, diz o médico.

"Os equipamentos estão deteriorados e sem as mínimas condições de uso. Como diretor clínico e responsável pelo SCIH, junto com todos os profissionais da unidade, tenho cobrado e buscado formas para melhorar a qualidade dos serviços prestados, entretando, novamente, sou punido por solicitar do Instituto Gerir as mínimas condições necessárias para que o atendimento adequado aconteça", afirma, na nota.

Ele pontua ainda que o governo do estado tem atrasado os repasses ao hospital constantemente.

"O governo do estado tem falhado rotineiramente nos repasses feitos aos hospitais regionais e ainda não permite que pessoas que se levantam para reclamar e/ou solicitar que tudo funcione corretamente tenham voz ativa. Simplesmente, de forma arbitrária, punem com a exclusão dos mesmos das unidades", criticou.

 

Bloqueio

O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com uma ação judicial pedindo o bloqueio de R$ 5 milhões das contas do Instituto Gerir, responsável pela administração da unidade de saúde para que seja feito o pagamento de funcionários e compra de insumos.

Além do pedido de bloqueio, deve ser formada uma comissão pelo corpo clínico, para que possam administrar o repasse do dinheiro, e fazer o pagamento aos fornecedores.


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