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23 de Abril de 2019

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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019, 08h:28 - A | A

Ex-comandante do Bope diz não acreditar que tiro que matou tenente Scheifer foi intencional

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Foi realizada na tarde desta quinta-feira (11), no Fórum de Cuiabá, mais uma audiência de testemunha sobre a morte do tenente Carlos Henrique Scheifer, ocorrida em maio de 2017 no distrito de União do Norte, a 700 km de Cuiabá.
 
Foi ouvido o tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira, que à época era o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em depoimento ele disse não acreditar que o tiro que matou Scheifer foi intencional.
 

Foram denunciados pela morte do tenente Scheifer: cabo da Polícia Militar Lucélio Gomes Jacinto; 3º sargento Joailton Lopes de Amorim e o soldado Werney Cavalcante Jovino.


 
Os três foram presos no último mês de março por determinação da 11ª Vara Militar. Scheifer foi executado com um tiro de fuzil no peito, em maio de 2017, em uma ação de continuidade após um assalto a banco na região de União do Norte, a 700 km de Cuiabá. O autor do disparo foi Lucélio Gomes Jacinto.
 
Na semana passada foram ouvidas cinco testemunhas de acusação. O cabo Alex Sander de Souza Vizentin, o sargento Antônio João da Silva Ribeiro, o tenente Herbe Rodrigues da Silva, o tenente-coronel Cláudio Fernando Carneiro e tenente Jonas Puziol relataram aos juízes e ao Ministério Público como ocorreu a morte de Scheifer.
 
Na denúncia do Ministério Público Estadual consta que o crime teria sido cometido para evitar que a vítima adotasse medidas que pudessem responsabilizar os militares por desvio de conduta em uma ação que resultou na morte de Marconi Souza Santos, um dos membros da quadrilha que era perseguido por Scheifer e sua equipe.


 
O ex-comandante do Bope, no entanto, não confia nesta versão. Em seu depoimento ele disse que acredita que o tiro foi acidental e não proposital. Ele afirmou e que se imaginasse isso não teria dado continuidade à operação, na época, mas teria tomado alguma providência.
 
Ele ainda contou que também achou estranha a primeira versão dos acusados, de que Scheifer teria sido morto por um membro da quadrilha que perseguiam, mas confiou nos militares, até que vieram as provas. José Nildo ainda negou a versão de que Scheifer e Jacinto tiveram um desentendimento anterior ao início da missão.

Os relatos
 
As cinco testemunhas ouvidas na semana passada pintaram o cenário em que se deu a morte de Scheifer. A equipe do Bope, integrada pelos militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim, Werney Cavalcante Jovino e chefiada por Carlos Henrique Scheifer, teria ido ao distrito de União do Norte, próximo a Peixoto do Azevedo (695 km de Cuiabá), em maio de 2017, para atuar em uma operação contra uma quadrilha de roubos a banco, na modalidade novo cangaço.
 
De acordo com os relatos, a equipe de Scheifer foi de aeronave até a localidade e pouco depois que chegou teria recebido informações, de um suspeito que foi abordado em um posto de gasolina, sobre o local onde estariam alguns dos membros da quadrilha.


 
A equipe de Scheifer teria ido até esta residência informada e lá teriam realizado a abordagem que resultou na morte de Marconi Souza Santos, isso por volta do meio-dia. Jacinto teria sido o autor do disparo que matou Marconi, justificando que o suspeito estaria armado.
 
Segundo o tenente Herbe Rodrigues da Silva, uma arma foi encontrada do lado de dentro da casa, nos fundos, enquanto o corpo de Marconi teria sido encontrado do outro lado do muro, fora da propriedade. Herbe disse que ele próprio entregou a arma a Scheifer.
 
Outras equipes da Polícia Militar, de regiões próximas, foram acionadas para dar apoio a esta operação. O soldado Vizentin, que auxiliava no recolhimento dos materiais abordados, disse que teria visto o cabo Jacinto andando de um lado para o outro, nervoso, e dizendo “este tenente é muito legalista”, se referindo a Scheifer.


 
 Os policiais localizaram um veículo, que seria dos suspeitos, que foi abandonado em uma região de mata. Já no período da tarde, a equipe do tenente-coronel Jonas Puziol foi juntamente com a equipe de Scheifer até o local onde estava o veículo, e lá Scheifer teria pedido a ele que fosse embora do local e levasse a viatura do Bope, na tentativa de simular para os bandidos que a polícia teria deixado o local.
 
Momentos mais tarde os policiais da região começaram a receber por rádio a informação de que um policiai estava ferido, e pediam informações sobre o hospital mais próximo. De acordo com as testemunhas, Scheifer teria chegado ainda com vida ao hospital, em Matupá, mas logo veio a óbito.
 
Em seu depoimento o sargento Antônio João da Silva Ribeiro teria dito que, no hospital, os três membros do Bope teriam ido sozinhos a uma sala, onde conversaram. Ele disse que os três aparentavam estar abalados, mas quando tentou se aproximar, para saber como se deu a morte de Scheifer, Jacinto teria dito para que ele se afastasse.
 
Os integrantes do Bope então teriam inventado a versão de que Scheifer teria morrido pelo tiro de um suspeito, o que foi desmentido depois pela perícia. Os policiais militares ouvidos ainda relataram que eram impedidos de ir ao local onde Scheifer morreu, por outros membros do Bope que já estavam no local, por que seria uma região de risco. Os militares que foram ouvidos ontem também disseram que desde o início desconfiavam da versão dada pelos três policiais do Bope.




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