Policia

19/05/2017 08:30

Gaeco faz devassa e descobre que deputada não teve grampo legal em MT

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) relatou, nesta quinta-feira (18), que não interceptou nenhum número telefônico pertencente à deputada estadual Janaína Riva (PMDB), que teria sido alvo de um esquema de escutas ilegais no Estado. Em razão das suspeitas sobre a irregularidade, a parlamentar cobrou resposta do Ministério Público Estadual sobre o caso.

Janaína teria tido o nome incluído no esquema criminoso que teria grampeado ilegalmente, ao menos, 120 pessoas no Estado, desde 2014. O caso foi denunciado pelo procurador Mauro Zaque à Procuradoria Geral da República (PGR), em janeiro deste ano.

Além da parlamentar, também teriam sido alvos da irregularidade políticos com mandatos, assessores, advogados, jornalistas, policiais, entre outros. O suposto esquema é denominado "barriga de aluguel".

Nele, o Núcleo de Inteligência da Polícia Militar solicitava interceptações de eventuais criminosos – no caso, uma quadrilha de tráfico de drogas e, posteriormente de assaltantes – e incluía nomes de outros alvos, que não tinham relação com os crimes. Na denúncia encaminhada por Zaque, é relatado que os grampos eram solicitados a um juiz de Cáceres pelo Ministério Público Estadual, com base em pedidos da Inteligência da PM.

De acordo com informações de bastidores, membros do alto escalão do Executivo Estadual estariam envolvidos no esquema das interceptações ilegais. Paulo Taques é apontado como um dos líderes dos pedidos irregulares de quebra de sigilos. No entanto, ele nega qualquer participação na fraude.

A deputada Janaína Riva encaminhou pedido ao Gaeco para saber se um de seus quatro números telefônicos constavam na lista de interceptações do Gaeco. No entanto, um relatório apontou que os dados da parlamentar não estavam entre os interceptados pela instituição. "Certifico para os devidos fins que, cumprindo determinação do Dr. Marcos Bulhões dos Santos, na data de 17 de maio de 2017, foi realizada verificação junto ao sistema Guardião dos seguintes terminais [pertencentes a Janaína]. Sendo que não foi localizado nenhum dos terminais em nosso sistema", revelou resposta do Gaeco, enviada para a deputada na quarta-feira (17).

 

Em razão de os números da deputada não estarem entre os grampeados pelo Gaeco, a interceptação telefônica da parlamentar pode ter sido feita pelo Governo do Estado ou pela Polícia Militar, que também possuem o sistema Guardião no Estado. Porém, não é descartada a possibilidade de Janaína ter sido grampeada por meio de escutas paralelas, feitas com equipamentos utilizados de modo ilegal, sem autorização para realizar o procedimento.


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