Policia

15/05/2018 18:34

Conforme antecipado pelo CO Popular, Walace é condenado a 12 anos de prisão

Conforme antecipado pelo CO Popular, Walace é condenado a 12 anos de prisão

Da Redação

O ex-prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PV), foi condenado a 12 anos de prisão, em regime fechado. A prisão do ex-gestor já havia sido prevista pelo Jornal Centro-Oeste Popular em agosto do ano passado, quando apontou que o ex-governador Silval Barbosa havia delatado Walace e que ele estava a um passo de ser condenado, inclusive, prevendo que a pena a ser dada poderia chegar a doze anos, como foi confirmado na última sexta-feira (11).

Confessou, ainda, que no ano de 2012 combinou com César Zílio [então secretário de Administração] recebimentos de propinas de empresas do ramo gráfico representadas por Wallace Guimarães, tendo acertado na ocasião que Wallace iria efetuar apenas parte dos serviços contratados e, em contrapartida, repassaria propina a César Zílio e utilizaria parte desses recursos na campanha eleitoral para Prefeitura de Várzea Grande em 2012”, diz trecho da decisão da magistrada, publicado na edição 753 de agosto de 2017 do CO Popular.

A condenação de Walace e outros 14 réus foi decretada pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros, por envolvimento em crimes desbaratados na segunda fase da Operação Sodoma, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa. Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, agentes públicos e empresários do ramo gráfico teriam agido como comparsas do ex-prefeito Walace Guimrães. O magistrado sentenciou também os empresários Antônio Roni de Liz e Evandro Gustavo Pontes, da Intergarf, a penas severas que chegam também a 12 anos de cárcere.  

A comunhão do grupo garantiu a entrega de R$ 2 milhões à organização criminosa, abastecendo sofisticado esquema de caixa dois, usado na campanha de Wallace, em 2012. Fraude esta que é objeto de outra investigação policial.

Quando da delação premiada, conforme publico o Centro-Oeste Popular, o ex-governador Silval confirmou o que outro delador, o ex-secretário de Estado César Zílio, já havia revelado – por esta razão, Walace Guimarães já foi inclusive denunciado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, e agora condenado.

Há coisa de um ano, Zílio revelou que, procurado por Walace Guimarães, este havia afirmado que representava um grupo de amigos do setor gráfico e que buscava a ajuda do então titular da Secretaria de Estado de Administração (SAD). Na delação, o ex-secretário afirma que Walace estava à procura de ajuda financeira do governo estadual, para cobrir despesas eleitorais – situação para a qual entraria em ação a fraude com os serviços gráficos não realizados.

Walace queria ajuda do governo do estado pois possuía “despesas de campanha e precisava de recursos para custeá-la; que essa ‘ajuda’ se referia a autorização fraudulenta para a realização de serviços gráficos e com conseqüente liberação dos pagamentos destinados a essas empresas o mais rápido possível”, afirmou Zílio.

 O ex-secretário já havia dito também que Walace Guimarães o encontrou na sede da pasta e ofertou-lhe R$ 1 milhão para que ele auxiliasse a levantar fundos para custear a campanha à prefeitura.

Nessa mesma ocasião, segundo ele, Wallace Guimarães sugeriu que os pagamentos deveriam ser destinados a aproximadamente cinco gráficas das quais era sócio e/ou parceiro comercial e chegou a citar o nome de duas: Editora de Liz Ltda. Me E EGP da Silva ME.

Neste sentido, César chegou a ponderar que operações fraudulentas desta natureza não poderiam ser realizadas sem a autorização do então governador, quando prontamente Walace informou que “pode deixar que isso é um assunto que eu resolvo (sic)”, assegurando que conversaria com o peemedebista e negociaria diretamente com ele, como foi efetivamente feito.

Zílio também afirmou que quem efetuou o pagamento das propinas seria o proprietário da Editora de Liz, Antonio Roni de Liz, que teria entregue os valores pessoalmente na SAD. De acordo com o MPE, o esquema foi concretizado no Pregão 093/2011, que simulou o fornecimento de material gráfico a secretarias de Estado´.

O dono da gráfica Liz, o empresário Antônio Roni de Liz, e o empresário Evandro Gustavo Pontes, proprietário da Intergraf, também já foram denunciados pelo MPE. As empresas firmaram contratos na gestão passada no valor de quase R$ 5 milhões em verba para serviços. Para o MPE, tudo foi feito com o objetivo de desviar dinheiro público.

À época da delação de César Zílio, o advogado de defesa de Walace Guimarães, José do Patrocínio, afirmou que o ex-prefeito não tem nenhuma relação com o esquema de corrupção sob o comando do ex-garimpeiro. "É uma invencionice do delator", afirmou em relação a denúncia feita por César Zílio.

O ex-governador confirmou que recursos desviados do Estado foram utilizados para abastecer a campanha do ex-prefeito Wallace Guimarães.

Em audiência judicial, Silval disse que era amigo de Wallace. Em 2012, o correligionário e então deputado estadual o teria procurado para pedir ajuda financeira. Afinal, estava na disputa pelo comando da segunda maior cidade do Estado. O ex-governador então decidiu ajudar.

O ex-secretário estadual de Administração César Zílio seria o intermediário. "Eu preciso de uma ajuda financeira para concluir a minha campanha. Estive na secretaria conversando com César Zílio. Conheço algumas gráficas e gostaria que o senhor habilitasse essas gráficas. Eu prometi R$ 1 milhão para César se ele habilitasse", teria proposto Wallace.

Depois do primeiro contato, o ex-secretário contou para o chefe que seria possível que as gráficas aderissem ao pregão. "E assim foi feito [...]. Chamei o César e determinei que cadastrasse essas empresas. Foi feito, foi executado. César disse que ele já tinha repassado. Confesso que não me lembro se César me passou esses cheques que fala na denúncia ou se pagou algumas contas minhas", confessou Silval.

 


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