Política

19/04/2017 17:09

Pagot defende Blairo e afirma confiança em inocência

O ex-secretário de Estado de Infraestrutura na gestão de Blairo Maggi (PP), Luiz Antônio Pagot, afirma que está confiante em relação ao pedido de inquérito que foi recebido pelo ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suposto caixa dois na campanha de reeleição do ex-governador, em 2006, em que ele atuou como coordenador.

Neste caso, Pagot é citado pelos ex-executivos da Construtora Norberto Odebrecht, João Pacífico e Pedro Leão, como interlocutor de uma negociação para quitação de uma dívida de R$ 50 milhões do Estado com a empresa, relativa à obra na MT-010, que estava há mais de dez anos atrasada.

“Tudo vai se esclarecer devidamente nos próximos dois, três meses. Assim que a investigação for aberta, assim que perguntado e responder, vai tudo se esclarecer, nisso eu tenho confiança”, disse o ex-secretário em entrevista à Rádio Capital FM.

Ele também negou que tenha feito qualquer tipo de negociação sobre a dívida do Estado com a empreiteira. Segundo ele, o débito realmente existia e foi detectado após uma auditoria feita logo no início da primeira gestão de Blairo no Executivo estadual, no episódio que, à época, ficou conhecido como “caixa preta”.

“Foi uma grande confusão porque o governo anterior não apresentou os ativos contabilizados e apresentou contas irregulares de R$ 86 milhões. Quando você ia levantar o cadastro de contas, você não conseguia identificar esses valores. Por isso mesmo, nós tivemos que fazer essa comissão, essa auditori. Posteriormente, toda essa documentação foi enviada à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o próprio governador fez uma audiência pública e apresentou os passivos não contabilizados e as contas regulares em junho de 2003. Em 2004 que esses cidadãos vieram me procurar e eu disse para procurar a PGE”, explicou.

Neste encontro com executivos da empreiteira, eles teriam apresentado um valor destoante do que constava no Estado e, como a questão da dívida já estava tramitando na PGE, Pagot apenas teria os encaminhado para este setor.

“Eu não lembro de valores. Eu sei que eles apresentaram uma conta e eu disse que essa conta a secretaria não concordava. Os valores que eles diziam não batiam com o que nós tínhamos registrado na Secretaria”, disse.

Depois disso, segundo Pagot, os representantes da empresa nunca mais voltaram à Secretaria de Infraestrura. "Eles não vieram mais à Secretaria de Infraestrutura. No tempo que eu fiquei na Secretaria de Infrestrutura, nunca mais foi falado sobre essa conta da Odebrecht e nem de outras empreiteiras porque eram várias empreiteiras que tinham a receber e o procedimento era idêntico para todos”, explicou.

Leia mais - Ex-procurador do Estado contesta propina da Odebrecht 

Já a reunião citada pelo delator Pedro Leão, em que Pagot teria representado Blairo Maggi para dizer que pagaria a empresa com recursos oriundos do Governo federal, referentes ao ressarcimento previdenciário remanescente da divisão de Mato Grosso, o ex-secretário nega tanto a sua quanto a participação de Blairo.

“Primeiro, nunca teve essa reunião (...) E eu duvido muito que o governador Blairo Maggi tenha participado também, viu. Outra coisa que eu posso afirmar é que dinheiro não veio para a campanha nossa porque nas contas de campanha não apareceu nenhum desses valores. Nós tínhamos um comitê da parte financeira da campanha e isso foi encaminhado depois para prestação de contas, que foram aprovadas”, rebateu.

O ex-secretário também acrescentou que está desconfiado porque no áudio da delação, não há menção do nome dele em conversa sobre recebimento de caixa dois ou pagamento de propina de R$ 12 milhões, que teriam sido pagas a Eder Moraes, já em 2006, conforme a Gazeta Digital já noticiou.

“Eu desconfio muito dessas declarações. (...). Eles mesmos, na sua delação, dizem que não trataram desse assunto comigo e muito menos trataram com o governador. Então, eu tenho a dizer que eu não tenho nada a declarar e que estou absolutamente inocente nesse caso”.


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