Política

MODAL DE TRANSPORTE 10/08/2017 08:34 Regina Botelho / Da redação

Interesses particulares tentam barrar retomada das obras, mas Governo afirma que não desistirá do VLT

O Governo do Estado vem trabalhando incansavelmente para retomar as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), um sonho da população da Grande Cuiabá, que anseia por um transporte público de qualidade. Porém, tem encontrado diversas resistências. Conforme informações obtidas com exclusividade pela reportagem do jornal Centro Oeste Popular, interesses escusos estariam por trás das constantes pareceres contrários por parte dos Ministérios Públicos Estadual e Federal para que as obras sejam retomadas. As duas instituições, MP e MPF, já deram parecer contrário a duas versões da minuta de acordo entre o Governo do Estado e o Consórcio VLT Cuiabá para a retomada das obras.

O principal responsável, que estaria fazendo grande lobby para que as obras, paralisadas desde dezembro de 2014, continuem paradas, seria um empresário do setor de combustíveis, que também. Acontece que ele acalenta o antigo sonho pela implantação do (Bus Rapid Transit), ou Transporte Rápido por Ônibus. Esse mesmo empresário já teria agido fortemente para impedir que o modal VLT fosse o escolhido quando do início das obras da Copa de 2014, e não obtendo sucesso, agora faz pressão para que o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos seja deixado de lado.

Esse empresário, conforme informações obtidas pelo CO Popular, estaria diretamente ligado às negativas por parte dos MPs para retomada das obras, deixando assim para trás um rombo de mais de R$ 1 bilhão da gestão passada, e deixando de concluir um sonho de um projeto moderno que é o VLT. Ele estaria, inclusive, aos poucos, plantando a ideia de que seria mais viável a implantação do BRT. “É um sonho antigo dele, e agora está trabalhando em conjunto com alguns membros do MP para que não fosse adiante o projeto do VLT”, disse a fonte do CO Popular.

Mas o sonho de um transporte público moderno, que atenda a população com qualidade, vai se tornar realidade. É o que garantiu o secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos (PSDB), que negou qualquer possibilidade do modal ter saído dos planos do Governo Estadual.

“Conversei na semana passada com o governador, prestei todas as informações a ele. Está determinado, está todo mundo torcendo, esperando que isso se encerre logo porque nós estamos gastando R$ 550 mil por dia, R$ 16,2 milhões por mês a titulo de seguros, manutenção, amortização e serviços do empréstimo. Quer dizer, está todo mundo angustiado”, disse.

Wilson explica que apesar dos pareceres negativos dos MPs, mudanças ocorreram no sentido de atender aos apontamentos dos procuradores e promotores de Justiça e encerrar a discussão sobre a retomada ou não do modal. Inclusive, o Governo do Estado está elaborando uma segunda versão do acordo com o Consórcio VLT para a retomada das obras do modal de transporte. A medida é necessária para atender às exigências dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. O documento deverá estar finalizado até o próximo dia 27.

De acordo com o procurador-geral do Estado, Rogério Gallo, somando as datas concedidas ao governo e ao Consórcio, há prazo suficiente para fazer as adequações apontadas pelos MPs. “Nosso prazo é três dias para o Estado e três dias para o Consórcio. Então, nosso prazo final para apresentar ao juiz é dia 27 de julho, mas vamos aproveitar e apresentar antes, até para o próprio Ministério Público, para que se faça uma avaliação dessa nova versão do acordo”, afirmou.

Ainda segundo o procurador, todo o trabalho executado agora é voltado para que haja um consenso junto aos MPs, que culminem na homologação final do acordo. “Sempre dissemos que não há acordo com o Consórcio VLT se o MP não concordar e o próprio juiz colocou que nós temos que encontrar esse consenso. Têm alguns pontos que o MP coloca como indisponíveis, que nós vamos caminhar para o atendimento”, disse.

OBRA PARADA GERA GASTO DE R$ 16 MILHÕES/MÊS

Um valor milionário vem sendo pago pela população com as obras paradas do Veículo Leve sobre Trilhos. É o que informa o secretário Wilson Santos, que lembra que o governo está bancando, mensalmente, R$ 16 milhões com o VLT. O montante é referente a dívidas passadas com o Consórcio VLT, responsável pela implantação, e a manutenção do que já foi adquirido pelo estado, como os vagões que se encontram guardados em um depósito próximo ao Aeroporto Marechal Rondon.

“Estamos determinados em dar continuidade à obra. Porque o VLT parado custa mais de R$ 16 milhões por mês. Pagamos R$ 14,2 milhões pelo empréstimo e, mais ou menos, R$ 2 milhões de segurança, manutenção, variação cambial, seguros. Quer dizer, mais de R$ 16 milhões estão sendo pagos pelo cidadão mato-grossense para isso não ter solução”, afirmou Wilson.

COMERCIANTES ACUMULAM PREJUÍZOS

Um dos setores mais atingidos pela paralisação das obras do Veículo Leve sobre Trilhos, o comércio ainda amarga prejuízos, principalmente na Avenida da FEB, em Várzea Grande, um dos principais corredores comerciais do município, e que foi mais atingido pela paralisação do modal, pois na avenida os trilhos do VLT começaram a ser colocados, com a redução das dimensões da via e impedindo o estacionamento nos diversos estabelecimentos localizados ao longo da via.

Marcos Vidoti, proprietário de um pequeno estabelecimento na Avenida, confirma que a incerteza da conclusão ou não dos serviços continuam prejudicando seus negócios. Conforme ele, com os trilhos do VLT passando pela FEB, a obra causou menor fluxo de carros e pedestres. “Estamos aqui, abandonados. Nossas calçadas foram destruídas, sem nenhum retorno na principal avenida de Várzea Grande, e sem saber qual será o nosso destino”.

Outra queixa é a falta de pontos de travessia para pedestres, o que vem prejudicando o acesso dos funcionários e clientes aos pontos de ônibus, e para piorar, ao longo da avenida há os chamados “gelos baianos” (blocos de concreto) usados como proteção das escavações feitas no canteiro central.

Em Cuiabá, o prejuízo foi menor, pois já houve uma readequação do canteiro central na Avenida Tenente Coronel Duarte, mas os comerciantes amargam ainda prejuízos, tendo muitos fechado as portas, como a Só Utilidades, que encerrou as atividades no ano de 2015. Conforme depoimento dos empresários à época, transtornos e a falta de expectativas para o reinício e conclusão das obras do VLT foram decisivos para o fechamento do estabelecimento.

EMANUEL EMPENHADO PELA RETOMADA DAS OBRAS

Um dos mais empenhados pela retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos, e que inclusive colocou o projeto como uma de suas bandeiras na campanha eleitoral, o prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) afirmou que irá buscar o apoio da prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos (DEM), para conseguir uma reunião com o Ministério Público Estadual e com o Ministério Público Federal para conseguir informações de porquê de as duas instituições ainda não terem aprovado o acordo para retomada das obras.

“Eu estou propenso a procurar a prefeitura Lucimar Campos e fazer uma visita ao Ministério Público Federal e ao governo do Estado (apesar do secretário Wilson Santos constantemente nos colocar a par) para saber o que está faltando pra poder desenrolar a questão do VLT”, disse, ressaltando que Cuiabá e Várzea Grande têm amargado prejuízos. “Nós estamos sendo tremendamente prejudicados em Cuiabá e com certeza em Várzea Grande, em virtude das obras paralisadas”.

Ele cita que vem sendo impedido de realizar obras de infraestrutura devido à incerteza da conclusão do Veículo Leve sobre Trilhos, citando como exemplo o canteiro central da Avenida Fernando Correa. “Esta é uma das principais avenidas e um dos principais corredores comerciais de Cuiabá e não podemos mexer em virtude das obras do VLT. Isso impede de melhorar e embelezar a cidade e melhorar o próprio urbanismo da nossa cidade”.


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