Política

05/10/2017 15:01 Gazeta Digital

Sargento diz que instalou câmera em farda a pedido do coronel Lesco

O sargento da Polícia Militar, João Ricardo Soler, prestou depoimento nesta quinta-feira (5) aos delegados Flávio Henrique Stringueta e Ana Cristina Feldner, que conduzem as investigações sobre a central clandestina de interceptações telefônicas na modalidade “barriga de aluguel”. Ele chegou por volta das 9h10 ao Complexo Miranda Reis de Juizados Especiais, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, local onde acontecem as oitivas dos acusados que foram presos no dia 27 de setembro acusados de obstrução de Justiça.

 O depoimento durou cerca de 3h30, mas o teor dos questionamentos feitos pelos delegados do caso, não foi revelado por ele. No entanto, o advogado dele, Reinaldo Soleti, que na entrada já havia adiantado que seu cliente iria colaborar com a investigação, disse que o sargento confirmou ter instalado a câmera na farda do tenente-coronel José Henrique Soares, que seria usada para gravar o desembargador Orlando Perri, o que ocorreu a pedido do coronel e ex-chefe da Casa Militar Evandro Lesco.

Soler chegou numa viatura da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) escoltado por policiais e escondeu o rosto usando uma folha de papel para evitar ser fotografado ou filmado pelos profissionais da imprensa que acompanham os desdobramentos das investigações.

Rircado Soler é acusado de ter levado um equipamento e uma câmera e instalado-os na farda do tenenente-coronel José Henrique Costa Soares para gravar o desembargador Orlando de Almeida Perri, responsável por autorizar a abertura de 6 inquéritos policiais que investigam diversas pessoas suspeitas de envolvimento no esquema que vem sendo chamado de “grampolândia pantaneira”.

O policial integrava o staff do governador Pedro Taques (PSDB) ocupando um cargo em comissão na Casa Militar. Após sua prisão no dia 27, foi exonerado da função de "gerente de Contra Inteligência" no dia seguinte. O ato, assinado pelo governador, foi publicado no Diário Oficial do Estado com data retroativa a 11 de setembro. 

No decreto de prisão, o desembargador Orlando Perri descreveu Soler como "o integrante do grupo criminoso detentor do conhecimento de equipamentos de espionagem e de inteligência, e, em liberdade, continuará operando para o grupo criminoso, podendo, com isso, causar embaraço à lisura na apuração dos fatos".

A trama armada pelos envolvidos para gravar o magistrado foi denunciada pelo coronel Soares que afirmou ter sido coagido pelos integrantes do Orlando Perri classificou como uma organização criminosa. Os detalhes do plano bem como a entrega da farda com o equipamento espião entregues por Soares fizeram o desembargador decretar a prisão preventiva de 8 pessoas, entre elas 2 secretários de Estado e outros 2 ex-secretários. Para cumprimento dos mandados, a Polícia Civil deflagrou a Operação Esdras em 27 de setembro.

Por volta das 10h, a juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, também chegou ao Complexo Miranda Reis. Ela entrou no elevador acompanhada de policiais e não fez qualquer comentários sobre o motivo de ter se deslocado até o local onde os delegados da Polícia Civil interrogam o o sargento da Polícia Militar. Antes disso, um assessor da magistrada, que trabalha no gabinete dela, também foi visto no local.


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