Política

06/10/2017 15:42 Folha Max

Juíza explica ofício e citação de Zaque

A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, prestou esclarecimentos ontem, quinta-feira (5), aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta, a respeito do ofício encaminhado ao governador Pedro Taques (PSDB), informando uma possível prática de ”barriga de aluguel” – quando números de pessoas comuns são listados como se pertencendo a alvos de investigações policiais – durante a Operação Forti em 2015. Selma se apresentou na condição de testemunha do caso. 

Feldner e Stringueta querem entender o “por que” da magistrada ter encaminhado um ofício ao governo do Estado, sendo que o pedido de informação partiu da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. 

“Esse ofício foi responsável pelo desencadeamento das investigações internas da Polícia Civil para averiguar a conduta das delegadas Alana Derlene Sousa Cardoso e pela Alessandra Saturnino de Souza. E a maneira como foi aberta essa investigação é que culminou no afastamento do ex-secretário Rogers Jarbas”, disse um dos membros da investigação liderada pro Stringueta e Feldner. 

“Imagina se cada magistrado encaminhar um ofício ao governador para informar alguma suspeita? Será que isso é uma prática constante? No mínimo é estranho esse ofício direcionado ao governador”, complementa. 

Outro pedido de explicações ocorreu o fato da magistrada ter mencionado no ofício o nome do ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, o principal denunciante das interceptações telefônicas clandestina no alto escalão da Polícia Militar de Mato Grosso. 

Um dos questionamentos seria porque o nome de Zaque não aparece em nenhum documento oficial da Operação Forti. 

No ofício, Selma Arruda alerta o governador que seria “possível verificar que existem indícios de que os terminais telefônicos (65) 9998-1122 e (65) 9208-6867 foram inseridos pela autoridade policial, delegada Alana Derlene Souza Cardoso. Esta delegada ocupava, na época, o cargo de Diretora de Inteligência da Policia Judiciária Civil, diretamente ligada à Secretaria de Segurança Pública, cujo titular era o promotor de justiça Mauro Zaque de Jesus. Foi ela a coordenadora da Operação Fortis, da SESP. O ocorrido denota, a princípio, típico caso da chamada “barriga de aluguel”, que induziu tanto o Ministério Público quanto o juízo a erro”, diz trecho do documento proferido pela juíza Selma Arruda no dia de 25 de maio. 

“A convocação da magistrada foi feita para tentar entender algumas dúvidas. Até porque já foi comprovado que não houve barriga de aluguel na Operação Forti. Mas quando o ofício veio à tona, tirou o foto das investigações da Polícia Militar. Gerou suspeitas sob delegadas e citou indiretamente o autor da denúncia inicial dos grampos. Então estamos tentando entender se foi só um mal entendido ou se tinha algum interesse por trás”, analisou a fonte ouvida pelo Diário. 

Os dois telefones citados no ofício pertencem a Tatiana Sangalli Padilha (suposta ex-amante) e Caroline Mariano dos Santos (ex-assessora), ambas ligadas ao ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques, preso desde o dia 27 de setembro no Centro de Custódia da Capital (CCC). 

Segundo as informações da magistrada, os números da Tatiana Sangalli e Caroline Mariano foram inseridos no segundo pedido da “Operação Forti” em fevereiro de 2015, comandada pela Inteligência da Policia Judiciária Civil e que investigava crimes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho de Mato Grosso (CVMT). 

Selma Arruda também explica que nunca foram enviados os áudios das duas vítimas. “Esclareço que, em relação à Operação Fortis, os áudios dos demais investigados foram remetidos regularmente ao juízo, restando não enviados apenas os desses dois alvos, eis que o relatório aponta que não houve conversa no período”, explica a magistrada. 

Já em relação a “Operação Querubim”, que se inicia um mês após a “Operação Forti” e que foi comandada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Selma Arruda alega que as interceptações das duas mulheres ocorreram de maneira legal, já que os nomes oficiais delas constavam no pedido para se investigar a desconfiança que uma organização criminosa, vinculada ao ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, tramava contra a vida do governador Pedro Taques (PSDB). 

No entanto, a magistrada não descarta que o possível planejamento da operação que investigava a ameaça a do governador e que se baseou a investigação, possa ter sido criada pelos investigadores. “Neste caso não há como afirmar que houve ‘barriga de aluguel’, já que os nomes e dados dos alvos interceptados foram efetivamente revelados pela autoridade policial, não se descartando, contudo, que possa ter havido a construção de [história cobertura], para dar legitimidade às escutas”. 

Selma Arruda ainda alega que na época, “era impossível a constatação de eventual fraude, até porque se trata de duas representações, formuladas por autoridades policiais distintas, lotadas em unidades diversas”, complementa a titular da 7ª Vara Criminal no ofício. 

A nossa reportagem procurou os delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta para explicar o depoimento. Porém, até o fechamento da edição não atenderam as nossas ligações. 


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