Política

09/03/2018 16:47 G1

'Operação que investigou plano para matar governador de MT foi uma farsa', diz ex-secretário

Em depoimento prestado na manhã desta sexta-feira (9), na 11ª Vara Militar de Cuiabá, o delegado e ex-secretário estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, disse que a operação "Querubim", desencadeada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para apurar denúncias de ataques contra a vida do governador, foi uma farsa.

Jarbas é uma das testemunhas de defesa arroladas pelo cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa Júnior, que está preso desde maio do ano passado suspeito de integrar o esquema de grampos clandestinos que vigorou entre 2014 e 2015 em Mato Grosso.

Jarbas disse, ainda, que ficou sabendo do esquema de escutas por meio da imprensa e que, até então, o governador não havia falado com ele sobre o assunto.

"Eu nunca ouvi nada da boca do governador sobre este a respeito disso. Ninguém do governo falou sobre isso comigo", disse.

Segundo o ex-secretário, todas as operações e investigações realizadas sob o pretexto de identificar um suposto atentado contra a vida do governador - por meio da qual foram feitas interceptações clandestinas - eram desnecessárias.

"Existe uma ilegalidade na origem disso. Não havia nada contra o governador. O que tinha eram questões pessoais e isso poderia ter sido comprovado deste o início", afirmou.

De acordo com Jarbas, logo que soube da existência do esquema de grampos, ele pediu que fosse feito um levantamento de dados dentro da secretaria que comandava, e tudo que encontrou, encaminhou para a Polícia Civil.

"Não se deve investigar dentro da Sesp. Tudo que tinha lá [referente a investigações], eu devolvi", disse.

O ex-secretário disse que recebeu um documento encaminhado pela juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, onde a magistrada apontava indícios de interceptações telefônicas irregulares no âmbito do setor de inteligência da Polícia Civil.

"Assim que recebi o documento da Selma, chamei a Alana [Cardoso, delegada da Polícia Civil]. Ela veio até a secretaria e redigiu a oitiva dela, porque eu precisa ouvir dela o que estava acontecendo. Depois a encaminhei para o delegado geral [da Polícia Civil]. E a oitiva dela, eu encaminhei para a Corregedoria da PJC", relatou.

 

O ex-secretário disse que essas foram as únicas providências tomadas por ele, uma vez que tudo aconteceu fora da gestão dele. Jarbas ainda afirmou que, somente depois que foi preso, tomou conhecimento do processo.

Cabo Gerson em audiência sobre esquema de grampos no Fórum de Cuiabá (Foto: Lidiane Moraes/G1)

Jarbas foi arrolado pela defesa do cabo Gerson, apontado como o operador do esquema de escutas ilegais na PM, mas afirma que nunca o viu nas dependências do Palácio Paiaguás. "Nunca vi o Gerson no Palácio, e eu vivia na Casa Militar", afirmou.

No entanto, ao encerrar o seu depoimento, o ex-secretário, antes de sair da sala de audiência, passou por Gerson, o abraçou e desejou boa sorte.

Um esquema de espionagem no setor de inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso foi descoberto e veio à tona em maio do ano passado, com uma reportagem exibida no Fantástico.

O caso veio à tona em 14 de maio do ano passado em reportagem exibida no Fantástico, de que autoridades, profissionais liberais, jornalistas e advogados tiveram os telefonemas interceptados em um esquema conhecido como “barriga de aluguel”, no qual os números foram inseridos indevidamente em processos de investigação de tráfico de drogas para obter autorização judicial para a quebra de sigilo.

A investigação do caso está sendo feita pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda não se tem conhecimento de quem partiu a ordem para os grampos.

Em Mato Grosso, tramita o processo contra os militares.

Além do cabo Gerson e do coronel Zaqueu, são réus o ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e o ex-adjunto da Casa Civil, coronel Ronelson Barros, e o tenente-coronel Januário Batista.


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