Saúde

05/09/2017 14:23 G1

Médico denunciado por violência obstétrica é indiciado por morte de bebê durante o parto em MT

O médico Jarbes Balieiro Damasceno, que havia sido denunciado por violência obstétrica durante um parto, foi indiciado pela polícia por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e lesão corporal. Segundo o delegado Alex Cuiabano, da Polícia Civil de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, o indiciamento por homicídio culposo será pela morte do bebê uma semana após o nascimento, em junho deste ano, e a lesão corporal cometida contra a mãe, durante o parto. 

O delegado afirmou que o médico confessou ter usado a “manobra de Kristeller” no parto, procedimento que consiste em empurrar a barriga da mulher para forçar a saída do bebê. "Ele disse ter feito essa manobra, que não é recomendada pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) para tentar salvar a mãe e o bebê", explicou.

Durante a investigação, ele disse ter ouvido mais de 25 pessoas, entre elas médicos, enfermeiros e funcionários do Hospital São Luís, onde foi realizado o procedimento. "As enfermeiras que atuaram junto na cirurgia contaram que ele usou essa manobra. Elas disseram que ele as obrigou, mas ele disse que pediu", afirmou o delegado.

Essa não foi a primeira vez que o médico usou essa manobra. Segundo o delegado, em depoimento, ele disse que atua como obstetra há 40 anos e que fez esse procedimento várias vezes, apesar de saber que não é recomendado.

Esse inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), que deverá se manifestar sobre os crimes pelos quais ele foi indiciado.

Além desse inquérito, há outra investigação em andamento nessa mesma delegacia contra Jarbes Balieiro. O delegado informou que esse outro inquérito apura um procedimento realizado no final do ano passado, em que o bebê fraturou o braço e a mãe teve lesões.

O médico foi afastado das funções logo depois da denúncia.

A dona de casa Rosa Maria Martins Pires, de 27 anos, estava grávida de nove meses quando deu entrada no Hospital São Luís, no dia 29 de maio, quando já estava em trabalho de parto. Ela teve hemorragia durante o parto e o bebê morreu no dia 5 de junho, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade de saúde.

O marido dela, Roni William Cuiabano do Couto, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra o médico, que, segundo ele, agiu com violência durante o parto. Com base nessa denúncia, a polícia abriu o inquérito para investigar o caso.


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