Saúde

Larissa Raquel de Pina Maulin Kchimel 06/11/2017 09:18 Regina Botelho

“Abandono do tratamento, contribui para que os índices permaneçam alarmantes"

Jornal Centro-Oeste Popular- Quais os principais sintomas da Hanseniase?

Larissa Raquel Kchimel- Então podemos reforçar os principais sintomas da hanseníase que geralmente, ocasiona manchas esbranquiçadas em áreas como mãos, pés e olhos, mas também podem afetar o rosto, as orelhas, nádegas, braços, pernas, costas e perca de sensibilidade. E para que as pessoas fiquem atentas aos primeiros sinais procurem o tratamento o mais breve possível. É se a caso pessoas muito próximas forem diagnosticados com hanseníase também convém que procurem as UBS para ser examinados.

CO Popular- Quais as principais dificuldades para tratar os casos?

Larissa Raquel Kchimel- A dificuldade de diagnóstico, pois alguns sintomas podem demorar até 10 anos para aparecer. Outra é o preconceito, fator esse que impede que muitas pessoas façam o exame para identificar a doença e posterior tratamento. E uma terceira dificuldade que também está aliada a segunda, que é o abandono ou a não assiduidade do tratamento. Uma vez interrompido, muitas vezes é necessário iniciar do zero para garantir a cura. Lembrando a doença deixa de ser transmitida poucas semanas após ao início do tratamento.

CO Popular- O que é hanseníase? Como ela é transmitida?

Larissa Raquel Kchimel- Trata-se de uma doença transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo País. É transmitida pela Mycobacterium leprae, através das vias aéreas superiores em meio as secreções nasais, gotículas de saliva, tosse e espirro de uma pessoa doente e sem tratamento para outra. Aloja-se na pele e nos nervos periféricos, o que causa desde feridas, perda de sensibilidade no local das mesmas, incapacidades e até mesmo deformidades físicas.

CO Popular- Cuiabá tem alta incidência da doença. Por quê?

Larissa Raquel Kchimel- Mato Grosso é um dos Estado Brasileiro com maior índice de hanseníase. Diante disso, por Cuiabá ser a Capital e possuir a maior concentração populacional ela apresenta grande incidência. Mas cabe destacar como uma das principais causas o preconceito, o estigma que a doença carrega, a falta de conhecimento dos sintomas e consequentemente a busca pelo diagnóstico, e o abandono do tratamento, contribuem para que os índices permaneçam alarmantes. Cerca de 250 a 300 casos de hanseníase são diagnosticados a cada 12 meses na Capital. Diante dessa situação a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) por meio da Atenção Primária tem como uma de suas prioridades as ações de combate à hanseníase.

CO Popular- O que o Município tem feito para mudar essa realidade?

Larissa Raquel Kchimel- Estamos intensificando as capacitações para viabilizar abordagens mais inovadoras. Na última semana, como parte das ações de enfrentamento da hanseníase na Capital, realizamos a Semana de Combate à Hanseníase, capacitando os profissionais da saúde de todas as regionais para intensificar esforços contra a doença. O objetivo é intensificar a busca de casos ainda não identificados o diagnóstico precoce a redução de sequelas. Além disso, visamos à promoção da educação permanente através das capacitações aos profissionais de Atenção Primária à Saúde e o fortalecimento dos centros de referência.

CO Popular- Quais os tipos de serviços são oferecidos aos pacientes?

Larissa Raquel Kchimel- Todo respaldo necessário para que o tratamento possa ser concluído, que pode ser feito entre 6 a 12 meses, de acordo com o diagnóstico seja realizado de forma a proporcionar a cura da doença. Lembrando que ele é feito gratuitamente pelo SUS e a medição é disponibilizada em todas as Unidades Básicas de Saúde. Quando necessário é disponibilizado atendimento multidisciplinar ao paciente.

CO Popular- Onde as vítimas de hanseníase podem procurar atendimento?

Larissa Raquel Kchimel- Em todas as regionais da Capital há uma Unidade Básica de Saúde preparada para oferecer os tratamentos e os cuidados necessários para diminuirmos este triste índice que assola, não apenas Cuiabá e Mato Grosso, mas todo o nosso País.

CO Popular- O Estigma pode provocar depressão no paciente?

Larissa Raquel Kchimel- Sim, claro. Afinal, a alta estima desse paciente poderá ficar prejudicada e há também os sintomas, as manhas pelo corpo e outros danos que podem contribuir e ou evoluir para uma depressão. Por isso, nossa equipe está preparada para fazer um atendimento humanizado, observando as particularidades de cada paciente visando a sua cura.

CO Popular- A Hanseníase não é doença erradicável?

Larissa Raquel Kchimel- Todos os esforços realizados pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias de Saúde dos Municípios e Estados visam à erradicação dessa doença milenar. Precisamos de uma série de políticas públicas que venham ao encontro desse desejo. Precisamos divulgar a hanseníase para que as pessoas compreendam o que é essa doença e procurem uma unidade de saúde para fazer o exame e, caso positivado que cumpram corretamente o tratamento, só assim conseguiremos nos aproximar da erradicação dessa doença.


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