Saúde

Saúde na UTI 07/11/2017 10:37 Regina Botelho

Caos no Pronto Socorro de Várzea Grande permanece sem solução

Superlotação, condições precárias, falta de medicamentos, poucos funcionários e condições insalubres. Esses são alguns problemas da maior unidade de saúde de Várzea Grande, o Pronto Socorro. A reportagem do Jornal Centro-Oeste Popular acompanhou o drama de quem depende de atendimento na unidade de saúde e constatou a precariedade.

Os problemas começam do lado de fora. O horário de visita é das 14 às 15 horas e com apenas uma hora, as pessoas precisam chegar com antecedência. No dia de visitas, familiares precisam chegar cedo e aguardar do lado de fora sob forte calor. O sistema de atendimento é ultrapassado e muito lento.

Na porta de entrada, apenas dois funcionários contam com uma lista feita a mão pregada em uma mesa de madeira. Com isso, a entrada demora e causa revolta para muitas pessoas que precisam entrar na unidade. Devido ao ‘sistema’, centenas de familiares não conseguem entrar no pronto socorro.

Joadize Machado tentou visitar sua tia, mas não conseguiu. “Na era na modernidade, da informação, o município ainda conta com esse sistema arcaico e ruim. Os funcionários são mal educados e mau preparados para atender a população”.

Os corredores continuam com superlotação e a cada dia a fila aumenta. São pacientes deitados em macas, sentados em cadeira tomando soro. Pacientes e funcionários sofrem com a higiene e climatização precárias e móveis em péssimo estado de conservação, colocando em risco a vida de todos.

O caos unidade de saúde não é novidade para ninguém. As deficiências são de conhecimento do Conselho Regional de Medicina (CRM), Ministério Público, Defensoria Pública e demais órgãos.

Há mais de 15 dias, Gelianedra Silva Sobral, 19, aguarda por uma transferência para o Pronto Socorro de Cuiabá, no Centro de Tratamento para Queimados, o CTQ. Ela sofreu acidente de moto e teve uma perna queimada e precisa fazer um enxerto. Muito triste, contou à reportagem que com fortes dores, a única medicação que está tomando é dipirona. “O quarto não tem ventilação, é pequeno. O lençol e o ventilador para ajudar amenizar o caos minha mãe trouxe da casa”. A jovem relatou ainda que a unidade está sem antibióticos e que muitas pessoas acabam comprando para amenizar a dor e sofrimento.

Luis Roque de Santana, 53 está há mais de 15 dias esperando transferência para o Hospital do Câncer. Ele contou que a família pagou todos os exames, inclusive a biopsia, mas não conseguiram transferi-lo para o atendimento especializado na unidade de saúde. “A saúde pública é uma vergonha. Não muda. Não posso esperar a doença me corroer”.

Jucinete Maria de Moraes, 26, necessita fazer cirurgia do braço direito. Ela está em um dos corredores do pronto socorro há mais de 15 dias. “É muito difícil ter que conviver com essa situação. Uma calamidade pública. Quem precisa da saúde pública fica mais doente. A superlotação, o risco de infecções e transmissão de doenças é grande. Mas parece que a gestão municipal, Ministério Público, não conseguem resolver esse problema que perpetua há vários anos”.

Cácio Costa de Moraes, 33 está com rompimento no joelho direito e fratura no ombro devido a um acidente de moto. Ele revela que há mais de 20 dias espera por cirurgia ortopédica no corredor. “Um depósito de humanos. Essa é a situação do Pronto Socorro de Várzea Grande”.

Dona Goianira Sardinha Machado, 74 quebrou o fêmur. Ela é hipertensa e aguardava há três dias pela visita do cardiologista. Deitada em uma maca, disse que é difícil os médicos acompanharem os pacientes. “É muita gente e poucos médicos e funcionários para atender a grande demanda. Essa situação é caótica, lamentável e desumana”.

Além do caos no atendimento, falta medicamentos, leitos, equipe médicas e funcionários, as paredes estão descascando e alguns setores estão tampados com pedaços de madeira.

Um médico que trabalha no local e que não quis se identificar devido às retaliações, revelou a reportagem do Jornal Centro-Oeste Popular que as melhorias na maior

unidade de saúde foram apenas maquiadas pela prefeita Lucimar Campos, mas não resolveram a situação. “Infelizmente o cenário não muda e isso ocorre porque a saúde não é um assunto prioritário para o Poder Público de Mato Grosso”.


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