Saúde

29/06/2018 09:20 G1

Mortes causadas diretamente pelo uso de drogas lícitas e ilícitas aumentaram 60% entre 2000 e 2015, diz ONU

Em todo o mundo, as mortes causadas diretamente pelo uso de drogas lícitas e ilícitas aumentaram 60% entre 2000 e 2015, diz Relatório Mundial Sobre Drogas lançado pela Organização das Nacões Unidas. Desse número, medicamentos de prescrição derivados do ópio respondem por 76% de todas as mortes relacionadas a drogas.

O levantamento também aponta alta na participação em faixas etárias mais elevadas. Pessoas com mais de 50 anos representaram 27% dessas mortes em 2000, percentual que aumentou para 39% em 2015. Segundo a ONU, o uso de medicamentos é o principal reponsável pelas mortes também nesse grupo.

"O uso não medicinal de medicamentos sob prescrição está se tornando uma enorme ameaça para a saúde pública", disse a entidade, em nota.
"Cerca de três quartos de óbitos por transtornos relacionados ao uso de drogas entre aqueles com 50 anos ou mais estão entre as pessoas que usam opioides" - ONU.

Já a cocaína e anfetaminas e derivados responderam por 6% das mortes cada uma no grupo de pessoas acima de 50 anos, diz a ONU. 

Alguns analgésicos usados para o controle da dor tem o ópio como base. O fentanil, tipo de anestésico e analgésico, é um problema na América do Norte. Já o tramadol, usado para tratar dores moderadas e graves, é uma preocupação em partes da África e da Ásia.

A ONU salienta que o acesso ao fentanil e ao tramadol para usos medicinais é vital para o tratamento da dor crônica -- o problema é a venda ilegal, com danos consideráveis à saúde.

Em outros países, diz a ONU, calmantes com tarja preta como os benzodiazepínicos também têm provocado mortes por overdoses e são um problema de saúde pública.

A circulação de medicamentos está em consonância com o peso que as drogas por receita está tendo nas mortes totais por drogas - segundo a ONU, a apreensão global de opioides farmacêuticos em 2016 foi de 87 toneladas, aproximadamente a mesma quantidade de heroína apreendida naquele ano.

 

Colômbia é a maior produtora de cocaína

Na outra ponta, a circulação de drogas ilícitas também está crescendo. "A manufatura global de cocaína alcançou, em 2016, seu nível mais alto de toda a história, com uma estimativa de produção de 1.410 toneladas", diz a ONU.

A Colômbia, segundo a entidade, continua sendo a maior produtora mundial. Regiões como África e Ásia, no entanto, estão emergindo como centros de tráfico e consumo da droga.

 

Também segundo a ONU, de 2016 a 2017, a produção global de ópio aumentou 65%, atingindo 10.500 toneladas.

 

Maconha é a droga mais consumida

O relatório aponta que 275 milhões de pessoas relataram o uso de drogas pelo menos uma vez em 2016. Dessas, 31 milhões relataram problemas e disfunções com o uso. "Isso significa que o uso é prejudicial ao ponto de ser necessário tratamento).

Número de usuários por substância (%)
Taxa indica depoimento de usuário (uso de pelo menos uma vez em 2016)
69,8169,8112,3612,3612,3612,367,637,636,96,96,546,54CannabisOpioidesAnfetaminasEcstasyOpiáceosCocaína01020304050607080
Fonte: Relatório Mundial Sobre Drogas/ONU/2018

A cannabis foi a droga mais consumida em 2016, com 192 milhões de pessoas tendo-a utilizado ao menos uma vez ao longo do último ano. A entidade faz uma ressalva, no entanto, que o uso de drogas difere de pais para país e depende das circunstâncias sociais e econômicas.

"Há duas tipologias extremas de uso de drogas entre os jovens: drogas de casas noturnas e drogas recreativas; e o uso de inalantes entre crianças de rua para lidar com suas circunstâncias adversas" -- ONU.
 

O relatório concluiu também que o uso de drogas e os danos associados a ele são os mais elevados entre os jovens em comparação aos mais velhos. No entanto, o uso de drogas entre a geração mais velha (com 40 anos ou mais) tem aumentado a um ritmo mais rápido do que entre os mais jovens.

Relatório da entidade também mostrou que homens são os que mais usam drogas -- embora as mulheres tenham padrões mais específicos de uso, com o uso mais elevado de calmantes. Elas representam 1 em cada cinco pessoas em tratamento.


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